Mulheres solidárias que andam pela África

Um menino observa a paisagem e o parapente que o sobrevoa. Foto cedida por Edições Cassiopeia

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Sábado 25.04.2015

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“São mulheres felizes com o que fazem e com a mudança de vida que deram”. Este é o denominador comum de quarenta histórias de “Todos os caminhos levam a África” (Ed. Cassiopeia), de acordo com a coordenadora deste projeto, Pilar Tejera.

Voltado para um amplo público, desde o que procura livros de auto-ajuda e motivação, até os amantes de viagens, passando por aqueles que lhes atrai a cooperação e o voluntariado, Tejera explica que pode ser um empurrão para os que, vivendo no Ocidente, se colocam mudar algo.

Durante ano e meio, Pilar Tejera colaborou com a jornalista Loreto Hernandez para pesquisar cada uma das histórias narradas no livro. Além disso, este inclui um prefácio do ex-vice-presidente do Governo, María Teresa Fernández de la Vega, uma reconhecida ativista pela África.

EFEsalud falou com dois de seus protagonistas: Mercedes Barceló, fundadora da África Digna, e Estrela Giménez, seu antecessor, em Kiara. Ambas têm encontrado a felicidade, desenvolvendo a sua faceta mais solidária e revelam como cada uma recebeu a ligação do continente africano.

Mercedes Barceló: um impulso para a saúde e a educação

Não só herdam o cabelo loiro, olhos castanhos ou cor da pele. A África e sua paixão por ela também se podem herdar. É o que aconteceu com a Mercedes Barceló, médica e fundadora da África Digna. Seu pai chamou o bichinho por este continente, e ela se encarregou de passar ao a suas filhas. Três gerações com o ponto de mira mais baixo do Mediterrâneo.

“Nas férias viajava muito a África e senti a necessidade de ajudar um pouco, nem todos são safaris de luxo”, relata para EFEsalud Mercedes Barceló. Durante anos partilhou o seu trabalho no Instituto Dexeus com a África Digna, ONG que montou em 2004. Mas, no final, teve que optar por um dos dois trabalhos, o adivinham qual? “Isso de África viciado”, revela esta médico.

A doutora Barceló reconhece que, embora lhe custou dar o passo, para ela mudar a sua vida por África tem sido uma grande transformação muito positiva: “Relativizas os problemas muito, é um trabalho muito egoísta, você recebe muito mais do que dá”.

Como seu próprio nome indica, com o objetivo de que os africanos vivem com dignidade, nasceu África Digna e dois pilares foram a base de seus primeiros projetos: a saúde e a educação. Barceló aconselha, ao empreender um trabalho humanitário, “respeitar a cultura, não impor as suas ideias e ouvir os beneficiários e suas necessidades”.

Desde a fundação, a Mercedes viu ser criada uma sala pediátrica, imprescindível porque as crianças compartilhavam cama com os adultos e chegavam a morrer com uma simples diarreia; projetos de água potável e em outubro próximo será lançado um ala para mulheres no hospital, para atender suas necessidades específicas.

Em relação à educação, África Digna está imersa em um projeto de bolsas de estudo que promova a educação secundária e universitária, no Quênia, onde é bastante cara. Mercedes crê firmemente que “a educação pode ser uma grande mudança a longo prazo”, e defende que meninas de áreas rurais tenham acesso a este direito para ganhar a vida e o respeito de seus maridos.

Estrela Giménez: contágio do ‘não’ retumbante para a ablação

Kirira, em um dos idiomas africanos, significa ‘apoio e consolo’. E isso é precisamente o que oferece a Estrela Giménez para as mulheres que tenta ajudar com a sua fundação, Kirira, para exterminar a mutilação genital feminina, a ablação.

Em 2001, a Estrela viajou para o Quênia para visitar uma criança que tinha contratado lá através de Ajuda em Ação. A curiosidade a levou para visitar os projetos desta organização, e acabou na casa de uma família com duas filhas, às quais lhes seria praticar a ablação. Ao final, conseguiram evitá-lo.

Sua ação não ficou por aí, e desde então criou sua própria ONG, Kirira, e começaram a agir em Tharaka, uma região do meio-ambiente queniana. Ali acudiam as escolas a informar sobre a mutilação genital feminina e criaram-se os grupos antiablación. “Queríamos que eles tivessem informações os pais, os professores e as alunas”, lembra Giménez.

Em Tharaka, o mesmo ano em que chegou Estrela, a ablação se praticava a 100% das meninas a partir de agosto. Hoje em dia, está praticamente erradicada nessa área, salvo algum caso fora do normal que ocorre em segredo. “Quando vimos que funcionava, se enganchas e se involucras mais”, diz a voluntária.

Esta professora de inglês jamais se imaginou que acabaria por dedicar sua vida a África. Apesar do esforço que exige, Estrela reconhece que tem a sorte de que sua família a entende e está envolvida com ela na ONG. “No final, isso é como um filho, involucras para as pessoas”, acrescenta.

Estes são dois exemplos de 40, que inclui “Todos os caminhos levam a África”. Quarenta mulheres que compartilham o mesmo denominador comum: a África e o seu instinto por levar adiante este continente.

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