Mulheres e HIV: maternidade, prevenção e preservativo

Um médico segurando um teste de detecção do HIV, feito a uma mulher durante uma campanha de saúde em Tegucigalpa (Honduras). EFE/Gustavo Amador

A associação de infectados e afectados pelo HIV/AIDS em Madrid, Apoio Positivo, com a colaboração da companhia biofarmacêutica AbbVie, foi realizado recentemente em Málaga a VIII edição das Jornadas EvhA, sobre a mulher e o HIV. Os principais temas abordados foram o cuidado emocional da mulher com HIV e saúde reprodutiva.

EFEsalud falou com Cristina de grande êxito, portadora do VIH e voluntária no Apoio Positivo, e com a doutora Pilar Miralles, da Unidade de Doenças Infecciosas do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón.

A Cristina foi diagnosticado o HIV quando tinha 22 anos. O médico deu-lhe uma semana de vida, mas hoje com 44 anos, conta orgulhosa a sua luta pessoal, que não tem sido fácil, pois como ela mesma relata lhe custou cinco anos de aceitar que era portadora do HIV.

“Hoje falamos de uma doença crónica, com uma medicação super, eu estou muito feliz. Há 20 anos se morías”, explica.

De grande êxito, a partir de sua experiência como portadora do HIV e como voluntária de Apoio Positivo, salienta-se que o teste do VIH deve ser obrigatória para todo o mundo e de rotina nos centros de saúde, “porque é qualidade de vida”.

Aponta também o problema de ter o vírus e desconocerlo, pois não envolve apenas que você possa transmiti-lo a outras pessoas, mas que você fornece com que a doença se torne mais resistente no corpo.

A carga social do HIV

“Muitas vezes pesa mais a palavra HIV do que a própria doença, porque hoje em dia as pessoas positivas vivemos muito bem, graças aos avanços médicos e levamos uma vida normal”, afirma Cristina.

A voluntária de Apoio Positivo, sofreu um despedimento e que não atendido em uma clínica dental por ser portadora de HIV. Hoje em dia já superou a carga social que a doença envolve, mas insiste na importância de eliminar o estigma nomeadamente para as pessoas recém-diagnosticadas, pois a rejeição experiente pode “hundirles psicologicamente”.

Pensar que o HIV pode ser transmitido com um beijo ou um abraço não é mais do que produto da ignorância e o preconceito com relação à doença. Para abordá-lo com o ambiente, de grande êxito aponta que “há que sentar e explicar que o HIV é uma doença crônica, controlada, que leva uma vida normal, ter relações sexuais, ser mãe” -explica- “eu acho que sentando-se a falar, dando uma informação boa e acima de tudo sendo natural das coisas chegam a bom porto”.

HIV e juventude

Conhecer a fundo as doenças de transmissão sexual para poder se proteger contra elas deve ser um desafio mais do que superado no século XXI. Mas o certo é que muitos jovens desconhecem a realidade dessas doenças, sendo um perfil de risco para sua transmissão.

Tanto Cristina quanto para a doutora Miralles, trata-se de dados preocupantes. A doutora diz que, além da idade jovem é alarmante que, de forma quase sistemática, “a via de transmissão da infecção seja, as relações sexuais heterossexuais”, pois para ela é sinônimo de que algo está falhando.

Além disso, aponta para o perigo de que muitas mulheres jovens não negociarem o uso do preservativo e aceitar manter relações sexuais sem cautela, sublinhando que “a mulher também tem que defender a sua saúde”.

E para os recém-diagnosticados, a voluntária de Apoio Positivo declara que as portas da associação estão abertas para todo o mundo, lançando uma mensagem direta em que adverte que “não se afundem, que peçam ajuda, que não é realidade em sua casa”. “As pessoas que vivem com HIV fazemos o mesmo: nós comemos, dormimos, dançamos… a vida continua”, aponta.

Cuidado emocional e materinidad

A doutora indica que, no caso das mulheres em relação à infecção com o HIV, “as necessidades médicas gerais e são diferentes em função das diferentes fases da vida”. Coloca como exemplo uma jovem mulher com desejo gestacional, pois “coloca uma série de problemas que não colocam os homens”. O mesmo acontece em etapas posteriores, como o envelhecimento ou a menopausa.

A assistência psicológica é fundamental. Segundo a especialista, o ponto-chave do cuidado emocional está “quando ocorre o diagnóstico, porque é um momento de bastante confusão ainda hoje e o que a pessoa tem uma série de incertezas” em relação à sua vida e do seu futuro. E, no caso da mulher, também é importante o apoio em outras fases, como o período de gestação.

É o caso de Cristina, que já começou um tratamento e espera que, em agosto lhe digam que está grávida.

A doutora explica que “qualquer mulher antes de engravidar, é conveniente que se faça uma análise de VIH, se não sabe se está infectada”.

E se a mulher já sabe que é positivo, “melhor uma gravidez planejada, pois diminui ainda mais o risco”.

Conforme explica a especialista, uma mulher portadora do HIV “deve ter uma gravidez controlado do ponto de vista de sua infecção, isto significa ter um controle biológico e uma carga viral indetectável, um tratamento anti-retroviral que se adecuará à gravidez e, posteriormente, o parto pode ser por cesariana ou até mesmo por via vaginal, em função do controle biológico”.

Depois do parto, há que tomar algumas precauções, como a amamentação, o que não se pode levar a cabo. Além disso, o bebê receberá por um curto período de tempo de um tratamento anti-retroviral para consolidar ainda mais essa pouca ou pequena transmissão que possa ter. Planejamento, controle e medidas preventivas que tornam possível o sonho de muitas mulheres, como Cristina possa se tornar realidade.

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