Mulheres com parceiro têm melhor prognóstico e sobrevivem ao câncer de mama

As mulheres com parceiro têm um melhor prognóstico e maior sobrevida nos casos de câncer de mama, independentemente das características do tumor, de acordo com um estudo internacional em que participou o Hospital Vall d’Hebron e que revela a importância do fator emocional nesta doença

A estátua central da praça de Maria Pita, na Corunha, iluminada contra o câncer de mama/EFE/Cabalar

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O estudo, que será apresentado em 50 Congresso da Sociedade Americana de Oncologia (ASCO), foi realizado entre 549.589 mulheres com câncer de mama em estádios do I ao IV, realizado entre 1990 e 2010, e concluiu que o estado emocional e sentimental pode influenciar no prognóstico da doença.

Segundo explicou à Efe o diretor do Programa de Câncer de Mama e Melanoma do Hospital Vall d’Hebron, Javier Cortés, o trabalho verificou que as mulheres com companheiro, com uma média de idade de 56 anos, tem um melhor prognóstico do câncer quando é diagnosticada a doença, independentemente de se o tumor é grande ou pequeno.

“A sobrevivência é 20 % maior em pacientes casadas ou com companheiro que nas que não o são e em casos de câncer metastático é de 7 %. ¡Poucos fármacos demonstraram um benefício tão importante!”, foi exclamado Cortês.

Maior taxa de sobrevivência em mulheres casadas ou com companheiro

Segundo o estudo, as mulheres casadas ou com companheiro com câncer de mama, a sua sobrevivência é de 89 por cento dos 5 anos, enquanto que entre as pacientes não casadas (em que se incluem as que nunca se casaram, separadas e viúvas), com uma média de idade de 65 anos, a sobrevivência é de 82 por cento

Além disso, no caso das mulheres casadas, que representam 56,8 % da amostra, o estudo mostra que o câncer de mama é detectado em um estágio inicial, e que os tumores são mais pequenos, acrescentou o especialista.

Os resultados do estudo também mostram que a melhoria da sobrevivência entre as mulheres casadas é maior quanto mais avançada está a doença.

Assim, entre as pacientes nas fases I, II, III e IV do câncer de mama observa-se uma melhoria significativa a 5 anos de 1 %, 3 %, 9 % e 7 %, respectivamente.

Cortés também explicou que parece que também poderia haver uma relação entre o estado civil e a idade em que se diagnostica a patologia: “No caso das mulheres sem companheiro (a percentagem de sobrevivência piora com o passar dos anos”.

Fator emocional

O estudo indica que, independentemente do estádio e da biologia do tumor, existe um fator emocional que influencia o prognóstico do câncer de mama.

Segundo Cortés, “aspectos psicológicos, estar animado, ter uma atitude positiva, influencia o diagnóstico do câncer de mama em particular, e de outros em geral, como no câncer de bexiga ou os hematológicos”.

As causas deste fator emocional são desconhecidos, mas Cortês foi apontado que, possivelmente, “o sistema imunológico é afetado pelo estado de espírito”.

“Não temos números, mas o que vemos nas consultas, uma pessoa com apoio familiar, com uma atitude positiva, não depressiva, melhora mais do que uma pessoa sozinha e com atitude depressiva”, explicou o médico, que espera que agora possam objetivar e explorar quais são as causas que fazem com que os fatores emocionais ou sociais interfiram em um melhor ou pior prognóstico do câncer de mama”.

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