Mulher: muito coração

A mulher espanhola sofre do coração. Temos muito antes de se dirigir ao especialista e estamos mais preocupadas com o que temos ao lado, que por nós mesmas. Igualdade, liberdade, não-violência… são termos que ouviremos até a saciedade o Dia Internacional da Mulher e todos eles têm como base um pilar fundamental: o direito de viver com saúde

Vigiar a saúde vaginal da mulher, imprescindível e necessária. EFE/EPA/Paco Campos

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Segunda-feira 10.09.2018

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Sexta-feira 07.09.2018

As doenças do coração em mulheres aumentam 9% ao ano em Portugal com relação aos homens. 64.492 mulheres, um 34,29 %, morrem por este tipo de doença. Esta é, portanto, a primeira causa de mortalidade entre as mulheres acima do câncer (22,50%) e as doenças respiratórias (9,42%), de acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística.

De acordo com a Sociedade Espanhola de Cardiologia (SEC) , apenas 15% das mulheres com problemas cardíacos recebe o tratamento adequado contra a 56% dos homens.

“As mulheres não foram incluídas em muitos ensaios clínicos de saúde. Isso fez invisível, de certo modo, a forma de adoecer das mulheres”, afirma Emilia Bailón, médica e vice-presidente da semFYC (Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária) e membro do grupo de atendimento à Mulher, que acrescenta: “é verdade que você tentou corrigir, não só em nosso país, no Reino Unido tiveram que fazer um esforço e um guia de boa prática para que se incluíram mulheres em ensaios clínicos”.

“Há um exemplo muito claro. O infarto do miocárdio se fala de sinais típicos e quando nos referimos à mulher, a quem se lhe manifesta de outra forma, porque a irradiação em vez do braço vai a mandíbula, língua de sinais atípicos”, afirma a doutora.

Felizmente, esta situação está se desfazendo, mas teve que fazer um esforço. Já se incluem mulheres na maioria dos estudos. “A doença cardiovascular é a principal causa de morte tanto em homens como em mulheres, e sobre a principal causa por que morremos, foi necessário fazer um esforço para incluir as mulheres tanto para ver os parâmetros sobre a forma de adoecer, o modo de manifestar-se sobre os tratamentos”, afirma Bailón.

Mais vale prevenir

As mulheres são mais conscientes de que as doenças cardiovasculares representam a primeira causa de morte entre o sexo feminino, de acordo com um estudo publicado na revista Circulation, da American Heart Association.

Atualmente 56 % das mulheres é consciente deste perigo, enquanto há 15 anos, só lhe preocupava a 30 %.

Nesse mesmo estudo, adverte que a principal razão pela qual as mulheres adquirem comportamentos de prevençãoestá relacionada, por esta ordem, com a melhora de sua saúde, para sentir-se melhor e, por último, para prolongar sua vida.

“Nas consultas de atenção primária vêm acompanhando os filhos, o marido ou porque tem a seu cargo a uma pessoa dependente, os pais ou os sogros. Tirando as situações gerais é a principal causa”, afirma Emilia Bailón.

Menopausa e medicalização

Às vezes olhamos para a medicalização de processos que são fisiológicos, e o paradigma é a menopausa.

“Se lhes gerou uma expectativa para as mulheres do que com o tratamento hormonal com estrogênio iam ficar sempre jovens. Foi visto que quando medicalizas uma situação dando “café para todos”, como se promovia, ao dar o estrogênio a todas as mulheres após a última regra, vêm as complicações e se produz uma situação que não impede, mas que induz riscos desnecessários”, diz a doutora.

Resenhas, adequadas à idade

“Queremos que as pessoas sejam protagonistas de sua saúde”, salienta a doutora.

“Quanto à revisão por ano em ginecologia: quando você tem três esfregaços anuais pode-se passar a fazê-lo a cada três anos. É mais importante que todas as mulheres façam uma citologia que algumas se façam”.

“Até os 50 anos, quando a maioria das mulheres deixaram de ter alterações hormonais, porque já teve a sua última menstruação, a menopausa, a mama é muito densa. “Fazer mamografias antes dos 50 anos em mulheres que não apresentam sintomas, dada uma taxa muito elevada de falsos positivos e gera uma grande ansiedade em mulheres que não vão ter nada”, diz este especialista.

“A recomendação de fazê-lo a partir dos 50 anos é porque é, então, que se podem ver lesões. Se fizermos antes mamografias dispara a taxa de falsos positivos e falsos negativos. Há estudos que assinam de 1.000 mamografias que ” há 800 normais, 200 em que se detecta alguma coisa, e essas haverá 20, em que se confirma um processo patológico.

A recomendação é a realização de mamografias em mulheres saudáveis a partir dos 50 anos e a cada dois anos. Mas antes, como prevenção, não“, insiste o médico.

“Existe uma corrriente social de escapar da medicalização da vida cotidiana e, nesse sentido, na medida em que as pessoas, assumir o protagonismo de nossa saúde, nós vamos melhorar”, conclui Emilia Bailón.

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