“Mortes por desespero”, o drama dos brancos de meia-idade nos EUA

Vista de lápides e bandeiras no Cemitério Nacional de Arlington, Virginia, EUA. EFE/Arquivo

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Em uma conferência no centro de estudos Brookings de Washington, Anne Case, economista da Universidade de Princeton, que passou anos a investigar esse aumento no número de mortes de homens e mulheres de raça branca entre os 45 e os 54 anos, com apenas estudos secundários, sublinhou que, em comparação, a taxa de mortalidade entre hispânicos e afro-americanos foi registrado um suave declínio.

“É um mundo em que a gente que está morrendo, não deve estar morrendo”, disse Angus Deaton, prêmio Nobel de Economia de 2015 e professor de Princeton, na mesma conversa em que acompanhou a Case.

O economista salientou a figura 96.000 mortes por ano e acrescentou que é de um intervalo “só comparável à epidemia de AIDS/HIV, de 1980 e princípios de 1990”.

Deaton e Case, que são casados, foram as conclusões de um recente estudo publicado na revista especializada “Proceedings of the National Academy of Sciences”, que despertou uma notável atenção mediática.

Essa atenção se deve às implicações sobre políticas públicas e o possível reflexo dos problemas econômicos que enfrenta nesta categoria demográfica, devido à perda de trabalhos que exigem baixa formação diante das pressões da globalização.

Em concreto, as mortes de brancos entre os 45 e os 54 anos e baixa formação entre 1999 e de 2013 subiram em 134,4 casos, e podem ser explicadas 415 mortes por 100.000 habitantes.

Entre negros e hispânicos registrou-se um sustenido descida desses casos no mesmo período.

Além disso, apontou Case, as doenças por trás destas mortes não foram as comuns, como diabetes ou problemas cardíacos.

Qual A causa que morrem?

“O aumento em a mortalidad deve-se a uma epidemia de suicídios e doenças decorrentes do abuso de substâncias como insuficiência hepática (cirrose) e overdose de opiáceos e calmantes. É o que chamamos de mortes por desespero”, disse.

Estas características levaram os economistas a questionar quais podem ser as causas, após o surpreendente crescimento em um grupo tão específico e levantaram a possibilidade de que tivesse relação com a crescente insegurança econômica e a frustração pelo agravamento da sua qualidade de vida.

“Após a desaceleração da produtividade no início da década de 1970, e com a ampliação da desigualdade de renda, muitos da geração de ‘babyboomers’ (nascidos entre 1946 e 1964) são os primeiros a encontrar a metade da sua vida, que não vão viver melhor do que seus pais”, afirmam Case e Deaton no estudo.

A crise econômica afeta também

Para o caso, outro elemento que se acrescenta ao quebra-cabeça é que esta crise econômica e da perda de postos de trabalho não é algo exclusivo dos EUA, já que é um processo com réplicas em outros países avançados, como os da Europa.

“No entanto”, disse a especialista, “não vemos uma tendência comparável na taxa de mortalidade em outros países. Parece um processo exclusivamente norte-americano”.

Mas reconheceu que ainda há muitas incógnitas, a economista aventurou-se dois possíveis fatores de tal divergência.

Por um lado, a mais débil rede de segurança social nos EUA em comparação com os sistemas mais robustos do outro lado do Atlântico.

E, por outro, o fácil acesso a poderosas drogas altamente viciantes de origem prescreve no país norte-americano, que desemboca em overdose.

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