mortes por câncer

As mortes por câncer, segunda doença no número de mortes na América Latina, aumentarão um 106 por cento em 2030, se não houver alterações significativas na política de saúde da região, de acordo com um relatório elaborado pela unidade de inteligência de The Economist, apresentado na Roche Press Day, fórum sobre os últimos avanços da medicina

A imunoterapia tira o freio que a proteína PDL1 coloca o sistema imune e, assim, permite que ele lute contra as células cancerígenas. Infográfico: Roche

Artigos relacionados

Segunda-feira 19.06.2017

Quinta-feira 15.06.2017

Quarta-feira 07.06.2017

“Estes resultados nos obrigam a ter uma visão comum para enfrentar o desafio, já que na região há muitas prioridades de saúde e os recursos são limitados”, explicou Irene Mia, autora do relatório e diretora editorial global de liderança de reflexão do semanário britânico The Economist.

O relatório foi intitulado “O Controle do Câncer, acesso e desigualdade na América Latina: uma história de luzes e sombras”.

Para a sua elaboração fez-se uma investigação dos dados disponíveis em 12 países: México, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Brasil, Peru, Paraguai, Chile, Bolívia, Uruguai e Argentina.

Principais dados do relatório

Entre 60% e 70% dos pacientes são diagnosticados em estados avançados da doença.

A Cada ano somam-se à lista um milhão de novos casos de câncer e que quase 70% das mortes provocadas pela doença ocorrem em estratos de rendimento médio e baixo, o que reflete as desigualdades na região.

Os países, em geral, têm uma baixa disponibilidade dos medicamentos de última geração. Da área, apenas o Chile tem os medicamentos mais avançados para tratar o câncer de pulmão.

Apenas dois países, Chile e Uruguai, têm suficientes equipamentos de radioterapia para tratar a todos os seus pacientes.

A autora do trabalho

Segundo Mia, você precisa de uma “solução multifacetada” para colocar o cancro em “a agenda dos Governos”.

A região, acrescenta o relatório, encontra-se numa fase de crescimento económico e um franco aumento da esperança de vida, o que mudou o perfil das doenças.

“Estamos transitando de mortes por doenças epidemiológicas para as cardiovasculares e o câncer”, esclarece.

O documento também explica que na região existe mais risco de desenvolver câncer de mama e de próstata. Também se registou uma diminuição da incidência de câncer de fígado e estômago.

Uruguai e Costa Rica se destacam por ter feito os maiores esforços contra o câncer, enquanto que os mais atrasados são a Bolívia e o Paraguai.

Para o controle da doença na América Latina se investe uma média de 4,6 por cento do PIB, enquanto que a média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 7,7 %.

“No Peru, observamos que a despesa subiu de 2,3 a 6 por cento do PIB para controlar o câncer”, acrescenta Mia.

Somente Argentina, Costa Rica, Panamá e Uruguai têm registros de base populacional a nível nacional, enquanto que no México, no Peru e no Equador, apenas se conta com registros hospitalares.

Apenas na Costa Rica e Brasil têm uma cobertura universal de saúde, enquanto que o México, a Argentina e o Paraguai têm centros de atendimento gratuito.

“Como denominador comum, vemos a atenção do câncer em zonas rurais está relegada”, explorando a especialista.

Os autores do relatório fazem recomendações gerais como desenvolver planos nacionais para o controle do câncer com suficientes recursos, investir em monitoramento de dados e registos adequados, colocar a prevenção e o diagnóstico precoce, como prioridade, aumentar orçamentos em cuidados de saúde, reduzir as barreiras de acesso a tratamentos e dotar de equipamentos e o profissional especializado em oncologia.

Especialistas: mais disseminação do câncer para melhorar a prevenção

Especialistas em câncer da Argentina, Colômbia, México e Estados Unidos, coincidem no fórum Roche Press Day, em que, ao divulgar informações sobre a doença, facilitando a sua prevenção.

“Em alguns anos, um em cada três pacientes vai dar um câncer. Um de cada três desses tipos de câncer podem ser evitadas com medidas que, do ponto de vista econômico, não têm impacto sobre os orçamentos governamentais”, explicou à Efe o doutor Ruben Torres, reitor da Universidade Isalud da Argentina.

Torres, que trabalhou na Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), acrescenta que há condições em que se pode reduzir a possibilidade de ter câncer.

“A obesidade é um fator que afeta 15% da incidência de câncer e pode perfeitamente evitar; o uso de tabaco, o que felizmente demos passos muito importantes na América Latina, também”, disse.

O doutor Alexandre Inicialmente, pesquisador em ciências médicas do Instituto Nacional de Cancerología (INCan), do México, ponderou que é preciso “trabalhar na prevenção, sem esquecer que centenas de pacientes vão ter que receber tratamento”.

Inicialmente, artífice de políticas públicas para controlar o câncer em seu país, destaca que “um em cada três mexicanos ou argentinos (entre outros) será diagnosticado de câncer” em algum momento de sua vida.

Daí a importância de sensibilizar a sociedade civil para fazer frente ao desafio, já que se calcula que cerca de 26 milhões de pessoas terão câncer em 2030.

Carlos Francisco Fernández, médico especialista do Hospital San Ignacio de Colômbia e o consultor médico da Casa Editorial El tiempo, opinou que os jornalistas têm um papel-chave como “tradutores essenciais entre esse meio técnico, científico, biológico, genético e as pessoas”.

O desafio é imenso, já que o crescimento do câncer no mundo é uma realidade, disse.

“A epidemia de câncer no mundo e em particular na América Latina tem sido tal, que já ultrapassou a velocidade com que se crie a infra-estrutura para o diagnóstico, os tratamentos e a formação de recursos humanos”, afirma Inicialmente.

Torres afirma que existem barreiras para o acesso, já que “vivemos no continente mais desigual do planeta. Essa desigualdade se manifesta não só em termos económicos mas também no acesso a diagnóstico, tratamento e prevenção do câncer”.

Alessandra Durstine, fundadora da Catalyst Consulting Group, uma organização que dá assistência técnica a ONGs que agrupam doentes com cancro e trabalham em temas de saúde, indica que “os sistemas de saúde na América Latina foram criados para doenças infecciosas, não para doenças crônicas complexas”.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply