Morrer dando vida

A Cada cinco minutos, três mulheres em todo o mundo morrem por causas relacionadas com a gravidez ou o parto. Outras sessenta sofrerão lesões debilitantes e infecções

A atenção pré-natal e o cuidado especializado durante o parto e durante as semanas posteriores são fundamentais para evitar complicações. EFE/Rolex da Penha

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Sexta-feira 07.09.2018

Quando acabar o dia, cerca de 800 mulheres terão morrido por complicações relacionadas com a maternidade, 99% delas provenientes de países em vias de desenvolvimento. Todas essas perdas humanas podem ser evitados.

No ano 2000, a comunidade internacional fixou como meta combater a mortalidade infantil e melhorar a saúde materna dentro dos chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), uma corrida contra o tempo que busca elevar as condições de vida e de acesso à saúde para 2015.

A três anos de cumprimento da data-limite, os avanços no cumprimento destas metas são importantes, ainda que o índice de mortes previsíveis continua “inaceitavelmente alto”. A mortalidade materna mundial foi reduzido quase pela metade entre 1990 a 2010, ao passar de 543.000 mortes por ano 287.000. Assim, destaca-se o relatório “Construindo um futuro para mulheres e crianças”, publicado recentemente pela iniciativa Countdown to 2015.

Os países signatários dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio comprometeram-se de cara para 2015 a redução da mortalidade materna em 75%. Hoje em dia, este percentual de avanço permanece em 47%, graças à diminuição de mais da metade de mortes por este conceito em vários países da áfrica subsariana e aos avanços obtidos na Ásia e no norte de África.

As causas indiretas, incluindo as mortes por doenças como a malária, o VIH/sida e as doenças cardíacas, que representam cerca de 20%.

No que refere-se a abortos inseguros, estima-se que dos 22 milhões registrados em todo o mundo, a metade é de abortos induzidos e resultam na morte de 47.000 mulheres e a incapacidade, temporária ou permanente, de outros 5 milhões. No Marrocos, por exemplo, praticam diariamente entre 600 e 800 abortos clandestinos, enquanto que os abortos legais variam entre 20 e 40 casos, segundo a Associação Marroquina de Luta contra o Aborto Clandestino (AMLAC).

Para o chefe de Saúde da Unicef, Mickey Chopra, em alguns países da américa Latina, é necessário melhorar o tratamento de saúde materna, bem como prolongar a fase escolar das mulheres para adiar a gravidez. “Os países mais pobres do mundo estão conseguindo grandes progressos e se continuam a esse nível, e querem algo mais poderão alcançar os níveis que vimos na Espanha e em Portugal há 20-30 anos”.

O relatório destaca que o Brasil, o México e o Peru estão fazendo progressos na diminuição dos índices de mortalidade materna e cumprir com a meta de reduzir o número de mortes de crianças menores de 5 anos.

Como evitar mais mortes

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 46% das mulheres dos países de baixos rendimentos beneficiam de uma atenção especializada durante o parto, o que significa que são muitos os nascimentos que não são assistidos por um médico, uma parteira ou uma enfermeira. A pobreza, a distância dos centros médicos ou pessoal especializado, falta de informação, a ausência de serviços adequados e as práticas culturais são outros fatores que aumentam o risco de morte materna.

A maioria das mortes maternas são evitáveis. A atenção pré-natal e o cuidado especializado durante o parto e durante as semanas posteriores são fundamentais para evitar complicações.

A aplicação da injeção de ocitocina imediatamente após o parto reduz o risco de hemorragia, enquanto que as infecções podem combater com uma boa higiene. Por sua parte, a administração de fármacos como o sulfato de magnésio em pacientes com preeclampsia pode reduzir o risco de desenvolver esta doença associada à hipertensão arterial.

Para a OMS prevenir uma gravidez indesejada ou a idades muito precoces é outra forma de evitar a morte materna. “Todas as mulheres, em especial as adolescentes, devem ter acesso ao planejamento familiar, para serviços que realizem abortos seguros, na medida em que a legislação assim o permitir, e a uma atenção de qualidade após o aborto”.

Diferentes regiões do mundo vêm realizando estratégias para reduzir esse índice de mortalidade. Em Portugal foi lançado este verão a campanha “põe-te em pé, e as mães africanas”, liderada pela ONG AMREF Flying Doctors, que busca impulsionar a formação de 15 mil mulheres africanas, como investimentos até 2015 para reduzir a mortalidade materna em 25% nas zonas da África Subsariana.

Por seu lado, a Fundação para o Desenvolvimento da Enfermagem (FUDEN) e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) participam na formação de 500 novas enfermeiras e parteiras, para tentar reduzir a mortalidade infantil e materna durante os partos na américa Central.

Nas Filipinas, o Ministério da Saúde distribui pílulas anticoncepcionais e preservativos para prevenir a mortalidade materna, e dedica uma parte de seu orçamento para campanhas de divulgação sobre as medidas básicas de prevenção de doenças na mulher grávida.

Se todos os países estão a trabalhar para melhorar as condições de saúde e de vida das mulheres se podem evitar a 33 milhões de casos de gravidez não desejada e a morte de cerca de 570.000 mulheres por complicações relacionadas com a gravidez e o parto.

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