Morre o oftalmologista Joaquim Barraquer

EFE/LUIS TECIDO

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O oftalmologista Barraquer, ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia e especialista em cirurgia de catarata e o glaucoma, que pertencia à terceira geração de uma série dedicada à saúde ocular e ostentava o título de Doutor Honoris Causa e de Professor Honorário em onze universidades de todo o mundo.

O médico, que criou a Fundação Barraquer e o Banco de Olhos para Tratamento da Cegueira, havia sido o pioneiro na inclusão de lentes intra-oculares para corrigir a miopia e revolucionou as técnicas cirúrgicas oftalmológicas.

Nascido em Barcelona em 26 de janeiro de 1927, era filho do oftalmologista Ignacio Barraquer, que, em 1941, fundou a Clínica Barraquer de Barcelona, e neto de Antonio Barraquer Roviralta, primeiro catedrático de Oftalmologia da Universidade de Barcelona.

Licenciado em Medicina em 1951 pela Universidade de Barcelona e doutor pela Universidade de Lisboa (1955), Joaquim Barraquer, foi professor de Cirurgia Ocular da Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), diretor do Instituto Universitário Barraquer (afiliado à UAB), diretor executivo do Instituto Barraquer, diretor-fundador do Banco de Olhos para Tratamento da Cegueira, e cirurgião-diretor do Centro de Oftalmologia Barraquer.

Sua contribuição para a cirurgia ocular

Seu trabalho clínica, científica e docente esteve basicamente centrada na cirurgia da catarata e do glaucoma. Suas inovações em 1958, revolucionaram as técnicas de cirurgia de catarata no momento.

Uma de suas principais contribuições para a cirurgia ocular partiu da técnica de “zonulolisis enzimática”, procedimento que consiste em substituir a extração mecânica do cristalino opaco por extração química, obtida a partir de injetar no olho de uma substância: a alfa-quimitripsina.

Barraquer estava entre os pioneiros no mundo na inclusão de lentes intra-oculares para corrigir a miopia e, era reconhecida internacionalmente, a sua contribuição para os transplantes de córnea e da clínica que leva seu nome, é um centro de referência mundial na especialidade.

Vocação para a investigação e humanitária

Sua vocação para a investigação levou-o a impulsionar a Cátedra de Pesquisa em Oftalmologia Joaquín Barraquer de “Universitat Autônoma de Barcelona”, cujo titular é o seu filho, o doutor Rafael I. Barraquer.

Uma das principais linhas de investigação, que realizam em rede com outros institutos estrangeiros, é o remédio cirúrgico que permite substituir o cristalino opacificado ou cataratoso por um cristalino artificial que mantenha as mesmas funções e possibilidades de acomodar a visão, tanto para ver bem de perto, de longe e a média distância, o que será também um remédio para a presbiopia ou vista cansada

Em 2003, constituiu a Fundação Barraquer para canalizar todo o trabalho de responsabilidade social corporativa que se empurrava e que atualmente dirige a sua filha, a doutora Elena Barraquer.

Sua finalidade é contribuir para melhorar a saúde visual das populações sem acesso a cuidados de saúde, promover expedições de assistência a países necessitados, a concessão de bolsas de formação e de investigação, bem como contribuir com o Banco de Olhos.

Distinções e publicações

Barraquer era presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, e membro de Honra, Honorários ou de Mérito de 39 associações científicas.Possuía 12 distinções e condecorações oficiais espanholas, como a Medalha de Ouro ao Mérito no Trabalho (1982) e a Grã-Cruz de Alfonso X, O Sábio (1984), e 21 estrangeiras.

Entre suas obras mais importantes estão: “A extração intracapsular do cristalino” (1964); “a Cirurgia do segmento anterior do olho” (1964); “Zonulosis Enzimática, nova técnica para a operação da catarata”.

A capela ardente que será instalado amanhã no tanatorio de Sant Gervasi, em barcelona, a capital catalã, onde se oficiarán as exéquias fúnebres no domingo.

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