Moha, o menino que supera a dor com alegria e vontade de aprender

Moha é especial, mas não por sofrer de uma doença que afeta uma em cada 120.000 pessoas, o que torna este rapaz senegalês de seis anos no único, é a sua capacidade para se adaptar, suas imensas vontade de aprender e superar com alegria a dor

Hospital Quirón de Lisboa, onde Moha recebe tratamento/EFE/obra de busch

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Assim o demonstra, durante uma entrevista com a Efe no Hospital Universitário Quíron, na localidade madrilena de Pozuelo de Alarcón, que com grande curiosidade fica por trás do visor da câmera de tv e, de forma inata, começa a brincar com o zoom, ao mesmo tempo em que esboça um grande sorriso.

Moha aprende rápido, muito rápido, de acordo com o seu pais de acolhimento, David Fernández, que diz que, em menos de um ano, aprendeu português e espanhol.

Olhos abertos e grande atenção

Enquanto o médico que lhe operou, o cirurgião e urologista pediátrico Pedro Lopes Pereira, explica o processo cirúrgico a que foi submetido, Moha mantém com os seus grandes olhos abertos, ouve atento, e não perde pedregulho.

Lopes Pereira aponta que para corrigir o epispadias da criança melhorará sua qualidade de vida, já que lhe permitirá manter relações sexuais normalmente no futuro e não ser marginalizado ou rejeitado por este defeito.

“Em outros casos que tivemos, a situação era muito complexa, onde viviam. De fato, tivemos um caso de um menino que vivia na África que não davam por incurável, e era uma malformação congênita que tinha abrigo. Se não fosse pela organização (Fundação Terra dos Homens), esta criança o deixam na selva. É dramático”, acrescenta o médico.

Mas o pequeno senegalês não parece preocuparle muito todo esse périplo cirúrgico que ainda te espera, e caminha com passo firme e decidido pelos corredores do Hospital Universitário agarrado a mão de seu “pai português”.

Os irmãos de Moha

Davi e seu parceiro, que vivem em Bilbao, tem dois filhos biológicos e outro de acolhimento, e, depois de ouvir no rádio um apelo para acolher uma criança com problemas de saúde, não hesitou, por isso, desde março do ano passado, também cuidam de Moha.

“Os irmãos estão como loucos. É um irmão mais. Há vezes que você quer; vezes que lhe odeiam; vezes que os matariam, e vezes que o comeriam. Agora mesmo, que sempre estive aqui há uma semana em Madrid, o tema da operação estão com menos morrer”, acrescenta David.

O pequeno voltará durante uma temporada Senegal para ver a sua família e depois voltará a Portugal para terminar de ser tratado no Hospital Quirón de Pozuelo de Alarcón.

Revisões de rotina

No futuro, quando termina todo o processo cirúrgico, de acordo com o doutor Lopes Pereira, não precisará de grandes controles, mas as revisões de rotina.

A partir de 1994 e, graças ao programa “Jornada para a vida”, já foram operados em Portugal 600 crianças, e, em particular, em Madrid, dezoito, de acordo com a responsável de Comunicação da Fundação Terra de Homens, Elsa Moya, que destaca que tudo isso é possível pela colaboração altruísta, tanto nos hospitais como dos equipamentos clínicos.

Antes de voltar para Goiânia, Moha deixa parcialmente um desenho de Doraemon, está chegando novamente a câmera de televisão e tenta toquetear botões para ver as imagens da entrevista. Não há dúvida, aprende rápido, muito rápido.

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