moderação, espaços sem fumo e relax

Um bebê vem em seu caminho e neste Natal vão ser muito especiais na casa. Mas a futura mamãe tem que tomar algumas precauções durante as festas. Um ginecologista explica como fazê-lo

Entre os alimentos que devem ser evitados durante a gravidez está a carne de porco crua, já que é capaz de transmitir o toxoplasma, um parasita que pode causar abortos e causar malformações no feto/Manuel Bruque.

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Durante o período de natal, os dias assinalados realizam-se sempre ao redor de uma mesa. Dada a abundância de comida suculenta e grande quantidade de eventos gastronômicos que acontecem nestas datas, registando depois nova moderação é importante para qualquer um, mas é muito mais durante a gravidez.

“Tudo o que come a grávida chega ao bebê”, lembra Francisco Carlos Zorrilla Romera, ginecologista do Hospital Santa Ana de Valência (Espanha). O especialista comenta que durante a gravidez não é necessário comer por dois, mas a grávida sim lhe apetece fazê-lo. “A gestação é uma alteração hormonal muito importante que tem grandes repercussões a nível metabólico. Isto implica, por um lado, um maior desejo de comer e, por outro, que a comida que ingere a futura mamãe lhe alimenta melhor”, aponta.

Não obstante, o doutor Arcanjo esclarece que nem todo o que come a grávida é bom para o bebê. Neste sentido, destaca-se a importância, tanto da quantidade de comida que se consome como do tipo de alimentos.

Três grupos de alimentos para a gravidez

O especialista divide os alimentos em três grupos: os que são muito saudáveis e cujo consumo deve aumentar; aqueles cujo consumo deve ser limitada; e, por último, os que não devem ser consumidas durante a gravidez. No primeiro grupo estão as frutas, verduras, legumes, massas, frutos secos, leite e peixe, embora com algumas limitações. Os alimentos cuja ingestão deve reduzir estão: o café, o chá, alguns peixes, fritos ou patês.

O ginecologista esclarece que se pode tomar chá ou café durante a gestação, mas sem abusar. “Uma ou duas xícaras por dia é uma quantidade aceitável. Não é errado tomar o café, o ruim é tomar, por exemplo, quatro cafés por dia”, aponta. Além disso, afirma que se deve limitar o consumo de alguns peixes grandes, tipo simples ou atum vermelho, pois acumulam grandes quantidades de mercúrio.

Ele também aponta que há que reduzir a ingestão de frituras e, em geral, de gorduras pelo excesso de calorias que contribuem e porque dificultam a digestão. “Os patês e o fígado podem ser consumidos, mas com moderação. Trata-Se de carne de porco, mas estão cozidos. O problema reside no seu elevado teor de vitaminas lipossolúveis. Portanto, pode-se tomar patê, mas sem abusar”, esclarece.

Entre os alimentos que devem ser evitados durante a gravidez está a carne de porco crua, já que é capaz de transmitir o toxoplasma, um parasita que pode causar abortos e causar malformações no feto. “Também é considerado porco cru para os enchidos como o salpicão, o presunto serrano, o chouriço, o lombo, etc., Os enchidos de peru ou carne, por exemplo, não têm maior problema”, diz.

Para poder tomar enchidos de porco de forma segura, o ginecologista recomenda congelar durante vários dias, a peça inteira embalada a vácuo antes de consumi-la.

Outro produto para evitar é o peixe cru. Não obstante, o doutor Arcanjo explica que não teria mais problema (exceto o anisakis) se previamente tiver sido congelado, tal e como marca a legislação sanitária.

Nem ovos crus ou lácteos sem pasteurizar

Além disso, o ginecologista precisa que durante a gravidez não há que tomar ovos crus, o risco infeccioso, que implicam, nem lácteos não pasteurizados. Estes últimos poderiam implicar a transmissão de listeria.

“A infecção por listeria provoca aborto espontâneo e morte neonatal. Se bem que a freqüência da doença é relativamente baixa, a gravidade de suas conseqüências coloca a listeriose entre as infecções de transmissão alimentar mais graves. A listeria é encontrado em produtos lácteos não pasteurizados e em diversos alimentos, e pode crescer a temperaturas de refrigeração”, adverte a Organização Mundial de Saúde.

Além disso, o doutor Arcanjo afirma que uma grávida não deve consumir patês ou queijos comprados a granel, ou seja, que já estão abertos no estabelecimento no momento da compra. “Todos os produtos têm que comprar embalados e abri-los em casa”, precisa.

No que diz respeito às bebidas alcoólicas, o médico garante que estão totalmente proibidas durante a gestação. “Não há consumos seguros ou limites mais ou menos recomendáveis. O cérebro fetal é muito sensível ao álcool, mesmo em pequenas quantidades”, salienta.

Embora os doces podem ser consumidas durante a gravidez, a futura mamãe deve ser prudente com estes alimentos, sobretudo nesta época em que costumam abundar em quase todos os lares.

Os doces fornecem muitas calorias e hidratos de carbono que contém são de absorção rápida, ao contrário dos hidratos de carbono presentes em alimentos vegetais, que são absorvidos de forma lenta e progressiva. Portanto, quando uma grávida se excede com os doces, experimenta picos elevados de glicose no sangue.

O doutor Arcanjo manifesta que o ideal na gravidez é “manter os níveis de glicose intermediários e constantes, nem muito altos nem muito baixos”. Conforme explica, com uma diminuição de açúcar no sangue, a gestante pode sofrer um desmaio com facilidade.

De igual modo, relata que o excesso de açúcar, especialmente em mães predispostas ao diabetes gestacional, “favorece o aumento de peso da mãe, o excesso de peso do feto, as complicações no parto e implica um maior risco de morte do bebê, uma maior taxa de partos instrumentais, de cesarianas e uma longa lista de complicações importantes”.

Além de tudo o que come, a grávida também deve controlar o que bebe. O ginecologista ressalta que o álcool está totalmente proibido durante a gestação e acrescenta que existem outras bebidas que só se podem tomar com moderação. Este é o caso do café, o chá e os refrigerantes de cola com cafeína. “Pode-Se tomar uma ou duas filas para o dia, mas não mais”, garante.

Do mesmo modo, o especialista coloca o foco sobre as bebidas com gás. “Para a grávida, a digestão é um processo mais lento e mais difícil. Seu ambiente hormonal, com uma maior quantidade de progesterona retarda os movimentos intestinais. Por outro lado, o volume do útero dificulta a digestão”, descreve. “O meteorismo (gases intestinais), as digestões pesadas, a acidez do estômago e náuseas são sintomas gastrintestinais muito frequentes na grávida e se agravam com o consumo de bebidas carbonatadas”, salienta.

Fora dos ambientes com fumaça

O doutor Arcanjo lembre-se que o bebê chega o que a mãe come, bebe e respira. Portanto, uma mulher grávida não deve fumar e tem que ficar longe dos ambientes com fumo. O ginecologista precisa que o feto não respira, por isso a oxigenação do seu sangue se realiza através do sangue materno. Assim, se a mãe fuma ou respira a fumaça do tabaco de outros, o nível de oxigênio no sangue é menor.

“Por outro lado, o tabaco provoca uma placenta insuficiente, incapaz de se alimentar corretamente o bebê, principalmente no final da gestação, que é quando você mais precisa. Os bebês de mães fumadoras têm um menor peso ao nascer, maior risco de prematuridade e de déficits neurológicos”, indica.

Outro elemento que a grávida deve escolher com cuidado para as festas de fim de ano é a roupa.”Ao longo da gestação, o metabolismo e o corpo da grávida mudam: o peso aumenta, as digestões são mais pesadas, o efeito compressivo e mecânico do útero dificulta a digestão e o retorno venoso das pernas, a posição do corpo e a curvatura da coluna altera, entre outras coisas”, descreve o médico.

Todos estes fatores levam a uma futura mamãe a reorganizar o guarda-roupa. “As recomendações são simples: roupa e calçado confortáveis”, destaca. O especialista aconselha evitar a roupa que comprima o estômago ou no abdómen. Isto melhorará as digestões pesadas, evitará os reflujos e a acidez. Além disso, explica que usar calças apertadas nas pernas “favorece o aparecimento de celulite. Se apertam na cintura, propiciam as varizes e as pernas pesadas”.

“A coluna se curva ainda mais durante a gestação e o volume do útero, em protrusão para a frente, aumenta o arco lombar da coluna. O uso de sapatos de salto alto, agrava o problema, favorece as quedas da grávida e dores nas costas”, adverte o médico.

Por último, a grávida deve viver as festas de natal com toda a tranquilidade possível. Neste sentido, o doutor Arcanjo esclarece que, se a mãe está tensa e nervosa, o bebê sente o mesmo (através de alterações hormonais que o estresse provoca nela).

Sua recomendação é “afastar-se do stress e desfrutar de cada momento da gravidez, como o que é, uma situação especial que se repete poucas vezes na vida de uma mulher”.

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