modelos sexuais machistas e violentas de nossos jovens

Os modelos sexuais machistas e violentas que colocam em prática alguns de nossos jovens fizeram saltar todos os alarmes. O caso recente do “Rebanho” é um exemplo muito ilustrativo do que está acontecendo. A pornografia e as redes sociais estão no meio de

EFE/EDUARDO MARGARETO

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Os especialistas tomam tempo advertindo do aumento destes modelos sexuais nada recomendáveis entre os mais jovens e apontam para a falta de informação e formação nas escolas, ao despertar sexual que ocorre na internet e no tempranísimo acesso a conteúdos pornográficos, que se situa entre os 9 e os 11 anos.

Também advertem do nada desprezível aumento da prática do “sexting” ou troca de imagens de conteúdo sexual entre adolescentes, através das redes sociais.

Alexandre Vilhena, psicólogo e integrante da plataforma, Dê Uma Volta, e o dr. Carlos São Martinho Branco, membro da Sociedade Espanhola de Médicos de Atendimento Primário (SEMERGEN), explicam a EFEsalud algumas das chaves desta situação.

Em primeiro lugar, aponta Alexandre Vilhena, há uma falta de informação e formação para os jovens no âmbito escolar e familiar, e mesmo que eles gostariam de aprender com os mais velhos, acabam aprendendo a pornografia em um momento “crítico e sensível para o seu amadurecimento como pessoas, para o seu amadurecimento afetivo sexual”.

“Além disso, é dada a circunstância de que a grande maioria dos vídeos pornográficos que há na internet têm um conteúdo muito elevado de agressividade física e verbal”.

Com estes vídeos, as crianças acabam associando o prazer sexual condutas agressivas, sobretudo, do homem para a mulher “e acabam interiorizando estes modelos baseados na humilhação e submissão da mulher, em funções sexuais que não são reais”.

Não obstante, Vilhena é de opinião que é um pouco ousado marcar a pornografia como única responsável por casos como o de “Rebanho”, mas se você acha que é “uma variável directa importante na hora de entender como se vê a mulher”.

Modelos sexuais: dê uma volta

No site da plataforma, Dê uma Volta, cujo lema é “Stop porn. Start sex”, leem-se os seguintes dados, recolhidos de diferentes portais de conteúdos para adultos: Um em cada dez consumidores tem menos de 10 anos; 81% dos adolescentes entre 13 e 18 anos afirmam observar a pornografia como uma conduta normal; o acesso, embora seja casual, a conteúdos pornográficos, ocorre entre os 9 e 11 anos.

“Na consulta são cada vez mais os jovens que chegam com seus pais e também adultos chegam pedindo ajuda, por um problema de relações sexuais, por cultura ou comportamentos exacerbadas”.

Muitas destas crianças que aprenderam a pornografia, que têm de ser violentos com a mulher ou que esta é um mero objeto, os adultos não se sentem confortáveis na relação sexual, não sabem como estimular o seu parceiro, ou como ter em conta os sentimentos e a afetividade”.

Existe, aponta, uma absoluta dissociação entre os desejos e os sentimentos da mulher e da imagem que nos mostra a pornografia.

A grande maioria da pornografia que existe hoje em dia busca apenas o prazer do homem, é muito coitocéntrica, não inclui preliminares, carícias, afeto…. Se extirpa tudo o caráter afetivo e é esquecer a pessoa que há por trás, com seus desejos, crenças…”

Dê uma Volta nasce da necessidade de informar, “porque estamos preocupados com os adolescentes e pessoas que sofrem com o consumo excessivo de pornografia, e ninguém está fazendo nada, desde os responsáveis políticos, aos colégios, mas também é verdade que há muitas associações que se dedicam a criar consciência”.

Em sua opinião, as escolas têm-se centrado muito na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada “e fizeram bom trabalho, mas a sexualidade vai além até mesmo das relações sexuais e não se concentra no componente afetivo, não se ensina a pessoa a ser livre, a ter um pensamento critico”.

Todos os estudos apontam que, quanto mais se fala, se informa e educa desde pequeninos, exerce-se, em seguida, a sexualidade com mais liberdade e responsabilidade, diz Vilhena.

Modelos sexuais: sexting

Sobre o sexting ou troca de imagens de conteúdo sexual através das redes sociais, aponta Vilhena que vai em aumento entre jovens e adolescentes.

Os modelos sexuais que se impõem na mídia “também afetam a construção dos traços comportamentais de como o homem e a mulher devem ser no âmbito das relações íntimas”.

Em sua opinião, nas últimas décadas, a tecnologia alterou-se por completo a forma em que os adolescentes e os jovens adultos se comunicam e interagem com os seus pares ou seus iguais.

“E o sexting é uma dessas novas formas de comunicação, que pode acabar com a inocência, a ingenuidade de um jovem”, acrescenta.

Além disso, aponta, há uma hipersexualizacion na sociedade: letras de músicas, vídeos, cartazes publicitários… “, e isso está a deixar a sua marca”.

Desde Dê Uma Volta, conclui o psicólogo, se quer colocar em evidência a preocupação dos adolescentes e o consumo de pornografia.

Também quer chamar a atenção sobre o caráter viciante da pornografia.

Modelos sexuais: modelo de sociedade

Para o dr. Carlos San Martin, especialista em Sexologia Clínica e Terapia de Casal pela Associação Portuguesa de Sexologia Clínica e o Instituto de Sexologia de Paris, o primeiro que há que ter claro é que, talvez, o mais fácil é dar a culpa aos jovens, e o que você tem que considerar é que tipo de sociedade estamos lhes deixando.

“Que conceito sobre a sexualidade, o respeito, a igualdade, a liberdade sexual da pessoa, estamos sendo capazes de transmitir”.

Em sua opinião, não são muito animadores os modelos sexuais sobre os quais os jovens constroem a sua orientação e a atividade sexual.

Também coincide com Villena em que estamos rodeados de meios que promovem mensagens de machismo e a submissão da mulher: séries de televisão, músicas…”, porque se paramos para ouvir a letra de algumas das músicas que ouvem os adolescentes de 15/16 podemos sair um tanto escandalizados com letras absolutamente cosificadoras e reforzadoras do conceito de submissão em o sexual”.

Modelos sexuais: falta de educação

Outra questão, aponta-se também em correspondência com Villena, é a absoluta ausência de educação sexual.

“Há muitos anos, quando ia a centros educativos e me reunia com os pais para falar de educação sexual sempre dizia o mesmo, que, se eles tinham algum problema ou não se ocupavam de falar de sexo, que não se preocuparan que alguém o faria por eles”, diz San Martín.

“E isso é o que está acontecendo e o problema é que quem está fazendo isso é a pornografia, cujo acesso é muito fácil hoje em dia, e reflete um modelo em que a submissão da mulher se dá como algo normal”.

“Alguns achavam que éramos capazes de melhorar e o que esta acontecendo é o contrário, uma deterioração, apesar de que em Portugal temos uma lei de igualdade, o que deve evitar todas essas situações “, acrescenta o especialista.

Porque esta lei, explica, estabelece mecanismos de controle para que, por exemplo, não haja esse tipo de situações em que a publicidade, os meios de comunicação.. “é uma lei que não se desenvolve em absoluto e desses barros vêm estes lamas”.

“Estamos observando e que nos tem preocupado situações clínicas que há cinco anos não se viam. Agora vemos com certa frequência, com muito mais do que gostaríamos, como chegam cada vez mais meninas, sozinhas ou acompanhadas de seus pais, preocupados com as relações disfuncionais com seus namorados ou casais”, relata o dr. San Martin.

“Vislumbra-Se muitas vezes uma situação de violência de gênero e a aceitação e assunção de uma situação de submissão como algo normal… ou a normalização de situações como o ciúme , o controle de mensagens do celular ou de com quem vai ou com quem se relacionar…”

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