Mitos e realidades sobre a nossa volta

EFE/Sáshenka Gutiérrez

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A volta é uma parte essencial para o funcionamento do ser humano. Ocupa-Se de suportar o peso do corpo, mantém estável o centro de gravidade, permite o movimento, e também protege a nossa medula espinhal. Mas, quando vamos ao médico, o que Sabemos que deve ser a nossa dor nas costas? Nos responde o doutor Francisco Kovacs, investigador português com maior produção científica no campo das doenças de costas, sendo autor de numerosos artigos científicos publicados nas principais revistas médicas internacionais.

O especialista ressalta que, de cada cem pacientes que pedem cuidados de saúde por dor nas costas, aproximadamente em um paciente “a dor se deve a uma doença sistêmica, como cânceres, infecções ou reparo”, cuja dor se manifesta nas costas, mas não é originado nas estruturas de costas.

Em quatro pacientes desses cem a dor se deve a “alterações da estrutura dos ossos da coluna vertebral, ligamentos e discos intervertebrais. Estas alterações são bem herniated discos ou estenose espinhal”, aponta.

O especialista adverte que não há que dar excessiva importância ao fato, pois praticamente 100% da população acima de 30 ou 40 anos sofre alterações na estrutura da coluna que “não são doentias, mas próprias da passagem do tempo e das características pessoais de cada paciente”.

Quando temos que ir ao médico?

O doutor Kovacs salienta que vale a pena ir...

  • A primeira vez que nos doa toda a volta para confirmar o diagnóstico, ou seja, para saber por que está nos doliendo.
  • Quando a intensidade da dor se torna insuportável ou não passa rapidamente.
  • Em quanto houver qualquer sintoma que acompanha a dor como perda de força, perda do controle dos esfíncteres (caso em que é urgente ir ao médico), perda súbita da capacidade de ereção, anestesia em sela (perda da sensibilidade da área genital e o períneo), perda de força ou dor irradiado ao longo do braço.
  • Se a dor tem características diferentes de tudo o que sentimos em episódios normais de dor.

Segundo o especialista, não vale a pena ir…

  • Quando é um episódio mais de um tipo de dor que conhecemos bem e que foi diagnosticado. Nesse caso, “apenas se em um dado momento, a situação se lhe escapa das mãos, se a dor é mais intensa ou se prolonga mais de 14 dias, vale a pena ir ao médico”.

O que é verdade no cuidado de costas?

  • O ponto chave é manter o maior grau possível de atividade física e esportes para manter uma musculatura razoavelmente desenvolvida e coordenada. Segundo Kovacs, “o bom estado muscular não protege a intensidade de dor, mas sim de sua duração”.
  • Para cuidar das costas, desde a infância, é importante ensinar às crianças que “fazer exercício, de forma sistemática, faz parte de uma vida saudável e normal de qualquer ser humano”.
  • Temos que manter uma atitude mental positiva e manter-nos tão ativos quanto pudermos.
  • Devemos também atender a outras questões como a cama, o mobiliário, calçado, etc., “Estudos sólidos mostram que é melhor um colchão firme da intermediária que um muito duro, como se acreditou durante muitos anos”, aponta o médico.

Mitos e costumes erradas que não ajudam a nossa volta

  • Abuso de testes de diagnóstico como raios x, ressonância magnética e TAC. “Os estudos científicos têm demonstrado que o valor do raio x é nulo e, no entanto, gera uma dose de radiação muito importante”, explica o especialista. Essas provas só são indicadas em casos muito específicos, pois “a principal fonte de informação e que determina o diagnóstico, o tratamento e até mesmo a previsão, em grande medida, é a história clínica e o exame físico”.
  • Salvo em casos específicos em que pode ajudar em algo, “higiene postural tem demonstrado ter um efeito mínimo”, aponta o especialista. Além disso, é impossível “manter a postura, 24 horas por dia”.
  • Ao contrário de outras partes do corpo e situações, os exames de rotina anuais, no caso de as costas não são necessários.
  • Recomendar repouso: “Há mais de 30 anos que está demonstrado que o repouso no leito não é que seja inútil, é que é prejudicial”, ressalta o doutor. Quando o repouso em cama dura mais de 48 horas implica perda de tônus muscular, prolongando-se o episódio e aumentando o risco de que se repita. Kovacs adverte que é melhor trabalhar a musculatura sempre que se possa “porque aumenta a irrigação sanguínea, faz com que se mantenha a coordenação da musculatura, etc.”.
  • Abuso da cirurgia, como acontece com a fusão vertebral: para o especialista, “tudo aponta para que se estão operando pacientes que não se devem operar”.

Está relacionado em parte com o abuso de realização de provas em que aparecem imagens de alterações próprias da passagem do tempo e que se relacionam com a dor, o que acaba “levando o paciente a ser operado sem necessidade” ao detectar em testes, às vezes, desnecessárias alterações que não tem por que ter importância real. Além disso, o médico defende que não “tem nenhum sentido submeter a cirurgia para evitar a ocorrência de um problema”, porque “não é um bom tratamento preventivo”.

Então, Como é que sabemos se o tratamento que recebemos é o certo? Francisco Kovacs explica que o nascimento de seu livro, em parte se deve a essa necessidade, destacando a importância de “dar a informação necessária para que qualquer pessoa tenha elementos suficientes para saber o que tem sentido fazer no seu caso e como contrastar informações se tiver que fazê-lo”.

O médico salienta que a chave reside na evolução clínica, “se o paciente não melhora, há que se perguntar coisas”. Além disso, explica que, hoje em dia, existem diferentes estratégias para buscar o fundamento em que se baseia a opinião de um médico, como pode ser procurar uma segunda opinião médica.

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