Milhares de pacientes de Insuficiência Cardíaca viverão melhor com um novo medicamento

Javier Tovar | L’Hospitalet de Llobregat (Barcelona)/EFE/GREGORIO DO ROSARIODomingo 31.08.2014

Cerca de 325.000 pessoas podem beneficiar, em 2015, de um novo fármaco “grande impacto” para lutar contra um tipo de Insuficiência Cardíaca (IC-FER), apresentado por Novartis no Congresso Europeu de Cardiologia, que se realiza nestes dias em Barcelona

Os cardiologistas Antoni Bayés Genís, Nicolás Manito, Gemma Gambús, José Ramón González Juanatey e José Luis López Sendon (izq. à dir.). Fotografia cedida pela Novartis.

Artigos relacionados

Domingo 31.08.2014

Sexta-feira 29.08.2014

O chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário La Paz, o Dr. José Luis López Sendon, afirmou hoje, em conferência de imprensa, que “o fármaco estrela deste congresso de cardiologia, LCZ696, será um sucesso importante na Saúde Pública espanhola, apenas perceba o seu desempenho terapêutico alcance 10% dos doentes com Insuficiência cardíaca durante o primeiro ano de sua prática clínica”, prevista para 2015.

A Novartis informou ontem, no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), e simultaneamente no New England Journal of Medicine, que seu fármaco na fase III de pesquisa contra a Insuficiência Cardíaca demonstrou ser superior em frente ao fármaco Enalapril no tratamento de hipertensão arterial, o de maior uso desta doença.

Os pacientes com Insuficiência Cardíaca apresentaram 20% mais chances de sobreviver e 21% menos de ser hospitalizados por uma deterioração súbita do seu IC que os que receberam o tratamento de hipertensão arterial, Enalapril. Além disso melhora em 16% de sobrevivência, por qualquer causa cardiovascular.

“Ao demonstrar uma redução muito significativa das mortes cardiovasculares e melhoria da qualidade de vida, o novo medicamento da Novartis para IC representa um dos maiores avanços em cardiologia da última década”, afirmou David Epstein, Division Head da Novartis Pharmaceuticals.

Coração añoso e é esquisito

O novo medicamento, que será administrado na forma de comprimido duas vezes ao dia, conta com um modo de ação único: “ativa o sistema neurohormonal protetor do coração (sistema de peptídeos natriuréticos), ao mesmo tempo que inibe o sistema nocivo RAAS, hormônios que ajudam a regular a pressão arterial a longo prazo e o volume de sangue no corpo”, explicou o doutor Antoni Bayés Jones, presidente da Sociedade Catalã de Cardiologia.

A Insuficiência Cardíaca, em todas as suas doenças, prejudica a qualidade de vida de mais de 26 milhões de pessoas em todo o mundo, cerca de 1,3 milhões delas no Brasil, onde se estima que irá aumentar a sua prevalência até 25% em 2030.

A Insuficiência Cardíaca (IC) é uma doença debilitante, incapacitante e potencialmente mortal. O músculo do coração, responsável pelo bombeamento de sangue, enfraquece com o passar do tempo ou se se tornar demasiado rígido e não pode levar sangue suficiente ao organismo.

Por trás da IC são geralmente a doença isquémica cardíaca (75% dos casos) ou alguma cardiopatología, embora o diabetes, a hipertensão, o colesterol elevado ou o consumo de álcool, drogas e tabaco produzem um dano continuado no sistema cardiovascular.

A Insuficiência Cardíaca pode ser crônica. Os sintomas são nítidos (dispneia ou afogamento, cansaço ou fraqueza, inchaço, especialmente das mãos, tornozelos e pés, etc.) e o doente piora de forma cada vez mais rápida, até que a internação se faz necessária para manter a vida.

Ao cabo de cinco anos do primeiro diagnóstico morrem, 50% dos pacientes, pelo que se trata de uma patologia com alta mortalidade: em homens, só se vê superado pelo câncer de pulmão; em mulheres vai atrás do câncer de pulmão e câncer de ovário.

O risco de desenvolver IC é maior em homens do que em mulheres, a que há que acrescentar que uma de cada cinco pessoas desenvolverão a doença em algum momento, principalmente em idade avançada, 2% a 55 anos e 20% com mais de 75, a que há que acrescentar patologias associadas: infartos do miocárdio, hipertensão, diabetes, insuficiência renal ou avc cérebro-vascular.

A molécula LCZ696

Quanto aos efeitos colaterais de LCZ696, “a análise dos dados de segurança mostraram que os efeitos colaterais em pacientes com IC-FER muito mais hipotensão -pressão arterial abaixo do normal – e angioedema,- inchaço da pele, mucosas e tecidos-, mas menos deterioração renal, hiperpotasemia -sódio elevado no sangue – e tosse que o grupo de enalapril”, destacou o Dr. Nicolau Manito, presidente da Seção de Insuficiência Cardíaca e Transplante do SEC..

A multinacional farmacêutica, que desenvolveu o medicamento, sob o guarda-chuva de 8.442 pacientes inscritos no estudo PARADIGM, pretende apresentar o pedido de autorização comercial, junto a FDA norte-americano para o final de 2014, e perante a UE no início de 2015.

“É a melhor notícia dos últimos dez anos para os pacientes com Insuficiência Cardíaca”, remarcaron perante os jornalistas, os cardiologistas reunidos pela Novartis para explicar as características do medicamento LCZ696 em Portugal, entre os que se encontrava o presidente da Sociedade Espanhola de Cardiologia, José Ramón González Jaunatey.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply