Mexicano cria antibiótico com pele de sapo, para curar infecções em vacas ~ EfeSalud

O pesquisador mexicano Alfonso Ilhas criou um antibiótico a partir de pele de sapo que cura a inflamação das tetas das vacas sem deixar resíduos tóxicos no leite, além de ser uma alternativa para combater as bactérias e curar algumas doenças em humanos

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Segunda-feira 10.09.2018

Afonso Ilhas, acadêmico do campus de Ciências Biológicas da Universidade de Guadalajara (oeste do México) criou e patenteou esta substância batizada como “ranimicina”, que usa as propriedades antimicrobianas que o sapo desenvolve de forma natural, para se proteger do meio ambiente.

O especialista em imunologia, explicou à Efe, que desenvolveu um estudo financiado pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia mexicano para tirar a pele da rã americana (também conhecida como rã-touro ou catesbeiana), criada na região Vales de Jalisco para cozinhar um prato com suas pernas.

Ilhas pegou os pedaços de pele de rã fora de uso, em restaurantes, para submetê-los a um processo de homogeneização e extrair as moléculas através de centrifugação. Assim descobriu que tem 23 peptídeos ou moléculas que servem como antibióticos naturais.

Com elas criou uma fórmula que elimina bactérias, como staphylococcus aureus meticilina e pseudomonas aeruginosa, causadoras de infecções do sul e que mostraram ser resistentes a antibióticos como a penicilina e seus derivados, afirmou.

“Nós submetamos a fórmula de exames bacteriológicas e conseguiu matar bactérias, como a escherichia coli (causador de doenças intestinais), entre outras. É de amplo espectro e é um extrato muito bom para combater infecções”, disse o especialista.

Um de seus colegas desafiou-o para testar o composto em vacas, pois cerca de 20% dos bovinos sofrem mastite, ou seja, inflamações e infecções nas glândulas mamárias causadas por máquinas que extraem o leite, que se apresenta particularmente em época de chuva.

O antibiótico aplicado a 280 vacas doentes conseguiu curá-las em cinco dias, e evitou que estas fossem retiradas do processo de produção, como ocorre quando recebem tratamento com penicilina, pois o antibiótico natural não deixa nenhum resíduo tóxico no leite.

“Quando tu lhes coloca penicilina marca você tem que retirar a vaca, não pode dar leite, porque não passa a norma (de saúde) e o ser humano que leva-se o leite está poluindo. Com o nosso antibiótico natural não acontece nada, ou seja, é um peptídeo que não é tóxica, não causa nenhum tipo de problema”, disse.

Isso beneficiaria os produtores leiteiros, pois diminui a perda de receita por colocar para descansar as vacas estão doentes e por gastos com antibióticos comerciais.

“Os produtores estão deixando de ganhar até 20 % menos do que a venda de leite e, além disso, têm que gastar com a penicilina, e com o nosso produto, que testamos em três manadas de leite (fazendas), não é necessário, porque a vaca continua produzindo”, disse.

As patentes mexicana e internacional, realizadas por Ilhas permitem a comercialização deste antibiótico, cuja dose tem um custo de 2,19 pesos (0,11 dólares), contra os 30 ou 40 pesos (ou 1,56 2,08 dólares) que você tem que pagar pela penicilina marca. Além disso, uma pele de sapo de 40 gramas pode dar até cem dose.

O pesquisador teve aproximação com os empresários de México e outros países interessados em adquirir os direitos para comercializar o antibiótico.

De forma paralela, realiza estudos para a aplicação do antibiótico em humanos.

“Temos resultados na aplicação para curar o acne, micose na pele (causada por fungos), pé de atleta, e a ocular, ceratite, que surge como complicação de alguma cirurgia de olhos ou da doença conhecida como catarata”, disse.

No entanto, para vendê-lo como medicamento de uso humano, é necessário realizar um protocolo de pesquisa a médio prazo e obter a patente, acrescentou.

Redação EFE: mg/o

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