MERS, distante de um vírus que foi colocado em xeque a Coreia do Sul

A viagem de um homem de negócios para o Oriente Médio foi colocado em xeque todo um país. Seu contágio de MERS tem causado na Coreia do Sul 16 mortes, o isolamento de mais de 5.000 pessoas e mais importantes perdas econômicas.

Colaboradores fazem guarda às portas de um hospital com máscaras em Seul (Coréia do Sul) hoje, segunda-feira, 15 de junho de 2015/EFE/Jeon Heon-Kyun

Artigos relacionados

Segunda-feira 08.06.2015

Depois de visitar o Bahrein e Qatar, em maio, o sul-coreano, de 68 anos levou Seul, sem o saber, a Síndrome Respiratória e do Oriente Médio (MERS), um vírus que tem gerado uma intensa crise não só de saúde, mas também econômica e política no país de 50 milhões de habitantes.

De uma forma imprevisível Coreia do Sul, a mais de 7.000 quilômetros do foco do vírus, tornou-se o segundo país mais afetado, após a Arábia Saudita, onde surgiu esta doença que tem afetado outras 18 nações.

O novo coronavírus, identificado pela primeira vez em 2012, é uma doença infecciosa, para a qual não existe, no momento, vacina ou tratamento eficazes, e cujo contágio requer um contacto muito directo com um portador.

Quando o 20 de maio, diagnosticou o MERS o primeiro paciente, este já havia transmitido a doença a alguns parentes e companheiros de quarto no hospital.

Hoje já são 150 os casos de contágio em 55 centros de saúde.

Máscaras pelas ruas

O alarme gerado pelo MERS notou-se, primeiramente, nas ruas, com um número crescente de pessoas andando com máscaras à medida que se vaciaban os espaços públicos, como hospitais, estádios de futebol ou cinema, e se suspenderam concertos e outros eventos de massas, por medo de contágio.

Além disso, dezenas de milhares de turistas chineses, japoneses, de taiwan e de outras nacionalidades, cancelaram suas viagens a Coréia do Sul.

Isso tem gerado um forte impacto econômico que o Governo tenta compensar com um fundo de 400.000 milhões de wons (360 milhões de dólares/319 milhões de euros) para apoio às indústrias e as regiões mais afetadas pela redução do consumo, o turismo e outras atividades.

Corte das taxas de juro

No entanto, a medida mais notório foi o corte de taxas de juro decretado na quinta-feira o Banco da Coreia (BOK), que baixou a taxa de referência em um quarto de ponto até seu mínimo histórico de 1,5 %.

Os especialistas mais otimistas consideram o recorte de tipos como um efeito positivo do surto de coronavírus na quarta economia da Ásia.

“O MERS tem gerado efeitos negativos sobre o setor privado, mas é compensada com o efeito positivo da queda de tipos, uma vez que, em última análise, vai contribuir para o crescimento económico”, declarou à Efe o professor Choi Nak-yoon, pesquisador do Instituto de Política Econômica da Coreia (KIEP).

O analista afirma que o MERS deu luz verde a esta medida necessária para combater a tendência à estagnação da quarta economia da Ásia, mas que se tivesse considerado injustificado, se não fosse pelo vírus.

Críticas políticas

No âmbito político, a tempestade atingiu em cheio o Governo, criticado por sua ineficácia na hora de conter o surto e por esconder durante duas semanas, a lista de hospitais afetados, o que contribuiu para espalhar a desconfiança e o medo entre a população.

“O Governo diz que o surto está controlado e limita-se a hospitais, mas eu não me fio, assim que eu continuo colocando uma máscara quando saio para a rua e já não vou a centros comerciais para comprar”, disse à Efe o secretário de 28 anos Park Su-jin, em Seul, em declarações que ilustram o sentimento de parte da sociedade.

De fato, a popularidade da presidente do país, Park Geun-hye, caiu de 40 a 33 pontos percentuais em apenas três semanas, de acordo com a consultoria Gallup, o que mostra a desaprovação generalizada de que a gestão do Governo.

Destacou-se o caso de um médico de Seul infectado com o MERS que teve contato com mais de mil pessoas ainda depois de ter apresentado sintomas do vírus devido a que as autoridades de saúde não lhe puseram em quarentena tempo.

Reunião da OMS

O comitê de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) reúne-se amanhã, terça-feira, para discutir sobre a evolução do Síndroma Respiratório e do Oriente Médio (MERS) na Coreia do Sul.

A reunião do comitê foi convocada pela diretora-geral da OMS, Margaret Chan, e será a nona vez que este grupo de cientistas -localizados em diferentes partes do mundo e que costumam realizar estas reuniões por teleconferência – dedicam ao MERS.

A maioria de reuniões tiveram lugar em relação à presença dessa síndrome na Arábia Saudita, onde atuou em 2012 e, desde então, tem provocado ali um mil casos.

Os especialistas do comitê avaliam novas informações que podem ter surgido sobre as características epidemiológicas da síndrome, que segundo confirmou uma missão especial enviada pela OMS, a Coréia do Norte, não sofreu mutações genéticas.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply