Mensagens de organizações e entidades médicas no Dia da Mulher.

No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, diversas entidades médicas lançam mensagens sobre a saúde das mulheres, entre elas, a Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), da Fundação Espanhola do Coração (FEC) e a Organização Nacional de Transplantes (ONT)

Salvadoreñas participam de uma marcha pelo Dia da Mulher/EFE/Roberto Escobar

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A saúde é um dos assuntos mais sensíveis e mencionados no Dia Internacional da Mulher. Diversas iniciativas, ações e comunicados incidem sobre isso.

Mulher e câncer

A SEOM lembra a importância da prevenção primária e secundária nos diferentes tumores que afetam a mulher.

Os números de incidência, mortalidade e incidência do câncer nos últimos 5 anos são diferentes entre homens e mulheres. A nível mundial, em ambos os sexos, o cancro com maior incidência e mortalidade é o de pulmão e o de maior prevalência a 5 anos é o câncer de mama.

Em geral, a sobrevivência das mulheres é superior à dos homens, porque os tumores mais frequentes em elas apresentam melhores apresentam nas sociedades humanas.

Felizmente -, destaca em um comunicado nesta sociedade médica-, apesar do aumento do número de pacientes diagnosticados de câncer, em consequência, fundamentalmente, do envelhecimento da população e de nossos hábitos de vida, a mortalidade está em declínio na maioria dos tumores.

Isso é por causa dos inúmeros avanços no tratamento, e também as medidas de prevenção e diagnóstico precoce. Adotando hábitos de vida saudáveis (não fumar, não beber álcool, ter uma dieta saudável e praticar exercício físico moderado) se reduziria em até 40% a incidência de câncer nos países industrializados.

O tabagismo é o principal fator associado com o risco de desenvolver um câncer de pulmão. Os fumantes têm 20 vezes mais risco de desenvolver um câncer de pulmão. Globalmente, a porcentagem de homens fumantes está diminuindo, mas lentamente o de mulheres fumadoras está aumentando. Em algumas partes do mundo ocidental, o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer em mulheres, à frente do câncer de mama.

Por isso, a partir de SEOM, queremos alertar para o aumento de mortalidade por câncer de pulmão em mulheres e sensibilizar a população a deixar o hábito de cigarros fumados e o quanto antes.

É também importante lembrar que a obesidade é a segunda causa evitável de desenvolvimento de câncer após o consumo de tabaco. Hoje sabemos que até 7% das mulheres têm o seu câncer a obesidade.

Seguindo as recomendações do Código Europeu Contra o Cancro aconselhamos que se faça aleitamento materno sempre que se possa, pelo menos, durante 6 meses, que limite o uso de terapia hormonal de substituição , e diante da dúvida, consulte o seu médico. Além disso, não se esqueça de participar dos programas de detecção precoce de câncer de cólon, mama e cervical.

Em relação aos fatores de risco existem aspectos diferenciais da mulher em relação ao homem; entre eles está a herança genética, já que as síndromes de câncer de mama e ovário familiar são freqüentes e afetam principalmente as mulheres da família afetada.

Mulher e coração

As doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte em Portugal, à frente do câncer, e causam mais mortes entre as mulheres do que os homens (6 %) por múltiplos fatores, entre eles os sintomas, muito mais difíceis de identificar no sexo feminino.

Em 2016, de acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), morreram em Portugal 119.778 pessoas por uma doença do coração, o que implica o 29,17 % de todas as mortes. No caso das mulheres, morreram por esta causa um total de 64.471, enquanto que no caso dos homens foram 55.307.

Uma das principais razões que explica que a mortalidade por doença cardíaca é maior em mulheres que em homens é a dificuldade para identificar os sintomas, segundo explicou à Efe o presidente da Fundação Espanhola do Coração (FEC), Carlos Macaya, com motivo do Dia Internacional da Mulher.

“A dor de infarto em mulheres apresenta sintomas atípicos como dor nas costas, no pescoço ou na mandíbula. Também os tem no peito, como os homens, mas, às vezes, referem dor na zona abdominal alta, acima do peito ou desconforto, uma sensação de falta de ar, cansaço e sudorese, que são interpretadas como crises de ansiedade”, disse.

Esta peculiaridade dos sintomas faz com que, em muitas ocasiões, o paciente chegue tarde aos serviços de urgência, o que aumenta também a probabilidade de morte.

De fato, de acordo com o Observatório Regional Bretão sobre o Infarto do miocárdio (ORBI), as mulheres demoram 60 minutos, a partir do que percebem os primeiros sintomas até que pedem assistência médica, frente aos 44 minutos dos homens.

“Assim que, quando a mulher chega ao hospital, chega tarde”, lamenta Macaya, que detalha também as mortes extrahospitalarias os acidentes vasculares cerebrais são maiores em mulheres do que em homens e que, devido a esta demora na hora de recorrer aos serviços de urgência, a mulher não pode beneficiar-se dos tratamentos, já que seu benefício está em função da precocidade de instauração do tratamento.

Outro fator que traz essa maior mortalidade é que geralmente as mulheres têm uma superfície corporal inferior ao homem e também é menor o tamanho de suas artérias, algo que dificulta a cirurgia.

Dois de cada três dadores vivos de rim são mulheres

A doação ao vivo de rim tem um “sotaque ” feminino”, já que dois de cada três doadores vivos deste órgão em 2017 foram mulheres (64 %), dados que respondem “provavelmente” seu “caráter altruísta e de cuidadoras”.

O que revelou a diretora da Organização Nacional de Transplantes (ONT), Beatriz Domínguez-Gil, na jornada institucional “da Mulher e da saúde renal”, que decorreu no Senado, com motivo da comemoração no próximo dia 8 de março, Dia Mundial do Rim e do Dia Internacional da Mulher.

Domínguez-Gil tem se destacado no ato, em que intervieram especialistas e representantes de pacientes, o transplante de rim não só melhora a qualidade do paciente com doença renal crônica, mas que “oferece vantagens claras em relação à sua sobrevivência”.

A diretora do GNT, destacou que, na Espanha, no ano passado, foram 332 transplantes renais de doadores vivos, que em 64 % eram mulheres, enquanto que os receptores foram em 66 % homens.

Em sua opinião, que dois de cada três dadores vivos de rim sejam mulheres se deve ao caráter “altruísta e cuidadora da mulher”, algo que, segundo disse, em declarações aos jornalistas, há que pôr em valor por “todo o sacrifício que representa” para uma pessoa saudável de uma intervenção com estas características.

Elas costumam doar aos seus pares, mas também para seus filhos.

Esse “sotaque ” feminino” não só acontece em Portugal, também no resto do mundo, tal como foi prescrito a diretora do GNT, que salientou que, nos últimos anos, diminuiu em 20% a doação ao vivo de rim.

Mulher e pesquisa

A Associação Espanhola de Investigação sobre o Cancro (ASEICA) adverte que a baixa financiamento e a falta de políticas de conciliação impedem a carreira da mulher pesquisadora.

Apenas 3 em cada 10 pesquisadores em oncologia são mulheres. Este é o principal traço do pessoal investigador especializado em câncer no Brasil, um perfil profissional que se completa com uma média de idade acima dos 50 anos, quando o intervalo de a pesquisadora é o líder do grupo.

“A percentagem de mulheres no mundo da investigação oncológica ia em aumento, até 2007, em todas as fases da carreira, mas a crise além de prejudicar as mais jovens atingiu particularmente os profissionais em cargos de diretores ou de alta responsabilidade, com índices presos em 20-30%”, diz Marisol Soengas, Chefe do Grupo de Melanoma do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO).

Entre as razões mais importantes que justificam esta baixa representação de mulheres na carreira de investigação encontramos a escassez de financiamento público e privado da I+D oncológica, a ausência de políticas de conciliação trabalho ou razões sociais e culturais, entre outros. A lacuna de gênero, segundo aponta ASEICA, está presente em duas fases: a primeira, o salto de investigação pós-doutorado em pesquisadoras principais e, a segunda, para progredir de pesquisadora principal para cargos de direção.

“O baixo orçamento destinado a projetos faz com que uma mulher com filhos aposte por um posto de trabalho mais estável, que fique como ‘segunda de bordo’ em um grupo de pesquisa ou que passe a cargos de gestão”, diz Gema Moreno-Bom, pesquisadora da Universidade Autônoma de Madri e a Fundação MD Anderson Cancer Center, em Portugal.

Além disso, ASEICA destaca que ainda hoje existem vieses nos processos de avaliação em que, diante de programas equivalentes, os homens são melhor classificados e, portanto, com maior possibilidade de promoção.

Assim, conforme afirma Angélica Figueiredo, coordenadora do grupo de Plasticidade Epitelial e Metástases do Instituto de Investigação Biomédica de Corunha (INIBIC), “é importante que, em postos de responsabilidade, em comissões de avaliação e em equipes de ter mulheres para que atuem como referências que promovem essa mudança”. Além disso, esses problemas se juntam as barreiras políticas e econômicas que impedem a estabilização do pessoal sênior.

Mulher e jovem: onde a ciência obtura

Com motivo do dia da mulher, as pesquisadoras de ASEICA querem colocar em relevo os problemas com que se deparam as científicas jovens, as que estão nas fases iniciais de sua carreira.

“A escassez de apoios para creches e a sobrecarga de trabalho que implica compatibilizar a direção e supervisão de pessoal, com a solicitação de vários projectos científicos, viagens para congressos, participação em várias comissões, e o desenvolvimento de outros trabalhos administrativos, limita o desenvolvimento profissional das pesquisadoras, particularmente quando a distribuição de tarefas não é equitativa no ambiente de casal”, indica Soengas.

“Por outro lado, há outras barreiras mais sutis. Foram publicados vários estudos que mostram resultados em processos de avaliação, em que para CVs equivalentes, os homens são mais bem pontuados, e, portanto, com maiores possibilidades de promoção. Tudo isso determina que muitas científicas escolham uma posição intermediária, em vez de um lugar de investigador principal”, acrescenta a pesquisadora do CNIO.

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