Meldonium, a nova poção mágica

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A Agência Mundial Antidoping (AMA) incluiu o Meldonium na lista de substâncias proibidas no passado dia 1 de janeiro e, no momento, vários atletas de primeiro nível, já foram suspensos, em sua maioria russos e de antigas repúblicas soviéticas, como a Ucrânia e a Geórgia.

E é que a medicina foi criada em 1976 pelo cientista letão Ivar Kalvinsh quando trabalhava em um instituto soviético. A patenteou em 1984, mas nunca chegou a se inscrever ou para serem comercializados fora do espaço postsoviético.

Esse foi, sem dúvida, um dos motivos de sua inclusão no catálogo de substâncias dopantes. Durante os últimos anos, os testes realizados demonstraram estatisticamente que muitos atletas profissionais de Rússia e outros países da zona do consomem regularmente Meldonium.

As autoridades desportivas internacionais e, é claro, a AMA, cujas denúncias de conivência com o doping obrigaram já há alguns meses para retirar a licença da Federação Russa de Atletismo, concluíram que há gato encerrado.

Como foi possível verificar Efe, pelo menos na Rússia, o Meldonium você pode comprar em qualquer farmácia sem receita médica. Com o nome de Mildronat, existe um recipiente de 250 mg e 40 comprimidos, para pessoas saudáveis, e outro de 500 miligramas para os que sofrem de insuficiências cardíacas crónicas. O recipiente pequeno custa em Moscou menos de 5 euros. Apenas tem contraindicações, de acordo com Kalvinsh.

De fato, segundo informou a companhia, que o distribui, Grindeks, as vendas deste preparado metabólico subiram em fevereiro e março, após a eclosão do escândalo, e já começou a escassear nas farmácias. Isto no que se refere aos comprimidos, já que as injeções só podem ser prescritas por um médico.

A AMA mantém que Meldonium é uma substância que melhora o desempenho físico dos atletas, já que reduz o atrito e reduz os prazos de recuperação após um esforço físico prolongado. Em sua opinião, essa medicina não é um simples medicamento que melhora a irrigação e a oxigenação do cérebro, mas que seu uso faz com que alguns atletas saiam com vantagem. Por tudo isso, decidiu banir, o que relatou vários meses antes da entrada em vigor da proibição.

O ciclista da equipe russo Katusha” Eduard Vorganov foi o primeiro a ser suspenso, conforme anunciado no passado dia 5 de fevereiro, a União Ciclista Internacional (UCI). A partir daí, uma volley de atletas, lutadores do povo georgiano para patinadores russos, foram desqualificados.

O assunto adquiriu tal magnitude que o presidente russo, Vladimir Putin, que já havia ordenado a abrir uma investigação sobre as denúncias de que a AMA, abordou o escândalo do Meldonium durante uma reunião do Conselho de Segurança. E é que a Rússia se joga a sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Uma proibição com muitos detratores

Não obstante, a proibição de Meldonium foi encontrado com muitos detratores. O primeiro de todos, o seu inventor. Kalvinsh assegurou à Efe que “dois milhões de pessoas que tomam regularmente”. “Eu recomendo a todo o mundo. Eu também tomo quando estou exausto e sinto que a cabeça está cansada”, disse o cientista, de 68 anos.

“Durante os treinos e as competições oficiais os atletas colocam à prova as fronteiras físicas. São situações muito perigosas que podem sofrer microinfartos, trombose ou enfartes de miocárdio. Se tomam Meldonium, podem sofrer, mas nunca morrer. Fazem uma pausa e retomar suas carreiras. O meu medicamento serve para combater a isquemia (insuficiência cardiovascular) e a falta de oxigênio (hipóxia), seja no coração ou no cérebro”, salienta.

Kalvinsh acredita que é “lógico” que o atleta que toma Meldonium obter “melhores resultados”, já que, se é tranquilo e não tem medo de por o seu coração, seus treinos serão mais intensos e irão competir melhor.

“O atleta que toma o meu medicamento pode forçar e dar tudo sem risco algum. Mas isso não é doping. Meldonium protege o seu coração, mas o desempenho depende exclusivamente das suas qualidades fisiológicas. Ninguém o toma e se torna o super-homem da noite para o dia”, insiste.

Outros falam abertamente de perseguição, como o ciclista Alexandr Kolobnev, que assegurou que a AMA quer prejudicar os atletas russos com vista para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

“Por que, de repente, no ano olímpico inclui uma substância sobre a qual mantiveram silêncio durante tanto tempo? Quando todo mundo sabia que, como vemos, teve uma grande popularidade no espaço postsoviético Por que não incluir Meldonium? Se usam muitos atletas russos!”, assegurou.

As apostas são muito altas, por isso que o Governo russo decidiu assumir o controle da investigação sobre o escândalo e, para começar, solicitou “os resultados das investigações científicas e os controles realizados pela AMA”.

O vice-primeiro-ministro russo, Arkadi Dvorkóvich, adiantou que se deve investigar cada caso de positivo para esclarecer se realmente se trata de infrações cometidas por atletas. Precisou que pode dar-se o caso de que o atleta punido consumir essa substância antes da entrada em vigor da proibição, mas seu organismo manter restos de Meldonium no sangue, como sugerem alguns especialistas.

Alguns especialistas russos não descartam que, tal como aconteceu antes com a cafeína, a AMA entre na razão e acabe por retirar ao Meldonium da lista de substâncias dopantes. “Se achávamos que não é um estimulante, tinha que ter recorrido. Agora, já foi incluído na lista de substâncias proibidas). Todos foram informados. Me causa surpresa que alguns atletas, assim, continuem consumindo”, disse Vitali Mutkó, ministro de Esportes russo.

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