Melatonina com efeito antidepressivo

A falta de sono é sintoma de depressão. EFE/EPA/SERGEY DOLZHENKO

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A mudança do dia para a noite e vice-versa incide no nosso relógio biológico que, por sua vez, envia um sinal para a glândula pineal, localizada no cérebro, para que gere melatonina a cada 24 horas.

A produção de melatonina começa a aumentar quando se inicia a diminuição de luz solar atinge um pico máximo entre 2.00 e às 4.00 horas. É o que chamamos de ritmo circadiano da melatonina.

As alterações nesse ciclo e um baixo nível de melatonina são fatores comuns às pessoas com depressão e síndrome afetivo sazonal, sem que isso signifique que seja a causa direta desses distúrbios, explica o doutor Dario Acuña Castroviejo, pioneiro em Portugal no estudo deste hormônio e diretor do Instituto Internacional de Melatonina (IiMEL) da Universidade de Granada.

O uso terapêutico da melatonina em depressão “é complementar ao tratamento farmacológico antidepressivo”, aponta o pesquisador.

No entanto, a diminuição de melatonina não só influencia a idade (a partir dos 35/40 anos), como ocorre com outros hormônios, mas que também afeta o consumo de medicamentos do tipo beta-bloqueadores, hipnóticos e ansiolíticos, que são utilizados para tratar a depressão e que podem causar insônia.

“Precisamente -aponta Almeida – o tratamento com melatonina neutraliza o efeito de antidepressivos e ansiolíticos e permite manter os níveis adequados para estabilizar o ritmo normal de sono-vigília. O ideal é antidepressivo mais melatonina, que tem um efeito sinérgico para melhorar o estado do paciente”.

Na depressão maior ou endógena, o efeito da melatonina “é muito suave, já que se trata de um processo muito mais severo, mas na depressão pontual, causada por uma circunstância concreta, a melatonina tem um efeito significativo e o ideal é usá-lo com qualquer outro depressivo menor”, indica o médico.

A síndrome de alterações de humor

O Transtorno Afetivo Sazonal (TAE) consiste em mudanças de humor relevantes, da depressão à euforia, que se desencadeiam no inverno, quando há menos horas de luz solar, e aumentam na primavera e no verão.

Tristeza, pessimismo, insônia…são algumas das manifestações típicas desta síndrome que está associado a uma alteração do relógio biológico que, em geral, se reflete em um atraso na fase de produção de melatonina.

Estes pacientes têm atrasado o ritmo de melatonina (se o pico máximo ocorre às 3.00 horas da madrugada, em que os envolvidos se gera duas ou três horas depois), o que implica que também se demora o resto de ritmos hormonais que estão sincronizados com a melatonina, como o cortisol, que é liberado em resposta ao estresse, entre outras).

“Se tratamos deste transtorno com melatonina para que o bico seja às 3.00, conseguimos eliminar a sintomatologia nesses pacientes”, diz Dario Almeida.

Em sua opinião, “a boa resposta ao tratamento com melatonina reflete que a alteração primária desta patologia deve-se a um distúrbio dos ritmos circadianos e, como a melatonina é o sincronizador endógeno dos ritmos, podemos usá-lo para redefinir completamente a função normal, assim desaparecem essas fases de depressão e mania que têm esses pacientes”.

Outros transtornos psíquicos

Também é descrito um aumento do nível de melatonina em transtornos alimentares como a anorexia ou a bulimia. “Mas isso não quer dizer que seja a causa, mas que existe uma correlação”, esclarece o diretor do IiMEL.

Pelo contrário, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) cursa com níveis mais baixos de melatonina e, ao ser reforçado com essa hormônio, “sim, conseguimos reduzir o componente de ansiedade pelo leve efeito sedativo, mas isso não significa que se exclua, nem reduza o transtorno, mas o estado anímico”.

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