Melanoma: um câncer de jovens

A Cada ano são diagnosticados em Portugal 3.200 casos de melanoma, e sua incidência está crescendo entre os jovens entre os 25 e os 29 anos, o que os especialistas concordam que é necessária uma maior conscientização da população sobre os riscos da exposição ao sol e o uso de cabines de bronzeamento

EFE/Jorge Zapata

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Proteger a pele e olhos, utilizar protetor solar com fator 50 a cada duas horas e evitar tomar sol de forma prolongada são algumas recomendações que fazem os médicos para evitar a ocorrência deste tipo de tumor, no âmbito do Dia Mundial, 23 de maio.

Perante esta comemoração, profissionais de saúde, pacientes e familiares se reuniram esta semana para analisar sua atual abordagem em um ato organizado pela Fundação Mais do Que Ideias, a Associação de doentes de Melanoma e o Grupo Português de Melanoma (GEM).

Ainara Soria, oncóloga no Hospital Ramón y Cajal, explicou à Efe que, nos últimos dez anos, a incidência do melanoma, o mais agressivo de câncer de pele, praticamente duplicou por maus hábitos dos portugueses, sobretudo dos jovens, à hora de tomar sol ou utilizar cabines de raios uva. “É uma doença de gente jovem”, diz.

Indica que o primeiro que há que fazer é mudar a mentalidade, porque este grupo de população não é plenamente consciente do perigo: “Não te ter tirado um lunar, te ter tirado um câncer que tem a mesma capacidade de matá-lo do que qualquer outro”.

Não baixar a guarda contra o melanoma

Alberto Quadro era o “típico” adolescente que passava muito tempo na praia, abusaram do sol e até teve vários episódios de queimaduras. Foi diagnosticado com melanoma com 29 anos.

“Um dia aparece uma mancha na pele que marca o ponto discordante”, conta à Efe Quadro, que agora é o presidente da Associação de doentes de Melanoma, e também insiste em que a conscientização é importante.

Ele é um exemplo de um diagnóstico precoce desta doença, embora, lembre-se que, quando se detectam, encontrava-se “isolado”, aumentou o seu stress e buscou dados na internet, que não resultaram de tudo confiáveis.

Cuidado com a internet

“Na internet, se lê barbaridades”, diz Marta Fontes, membro desta associação, pelo que uma de suas reivindicações é estabelecer uma ferramenta virtual com informações úteis de especialistas.

Marta foi diagnosticada há 17 anos e teve a primeira metástase há 13 anos. Lembre-se sua surpresa quando o médico disse, já que fazia muitos anos que não tomava sol.

“O melanoma tem memória de elefante: eu fiz uma barrabasada na adolescência e se manifestar muitos anos depois”, explica.

A chefe de grupo de Melanoma do Centro Nacional de Investigações Oncológicas, Marisol Soengas, manifesta que “um de cada cinqüenta crianças que nasçam podem desenvolver melanoma”.

Avanços contra o melanoma

A cientista aponta que se trata de uma das doenças que mais se tem avançado nos últimos anos: o diagnóstico, melhores técnicas para distinguir as bolinhas benignos dos malignos; e o conhecimento, sabe-se que é o tumor com maior número de mutações.

Afirma que, graças a isso, foi possível desenvolver medicamentos eficientes para as mutações e aprovar vários compostos.

Soengas explica que é “muito importante” continuar a apoiar a investigação, já que há compostos que foram aprovados em outros países e no Brasil ainda não chegaram ao Sistema Nacional de Saúde, pelo que nem todos os pacientes podem se beneficiar.

“Os cientistas insistimos em que estamos ainda longe de financiamento que existem em outros países”, acrescenta.

Monitorar as bolinhas

Por sua parte, a psiconcóloga Ariadna Torres lembra a importância de monitorar os lunares -a cor, bordas, se coçam ou sangram e se são assimétricos – para que seja possível a detecção precoce da doença e evitar metástases.

Conclui-se que, uma vez que foi detectado o tumor, é importante que o paciente aceite o quanto antes a doença para poder continuar com o tratamento.

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