medo de perder o controle

O redemoinho de ansiedade provocado por um ataque de pânico leva algumas pessoas a evitar a todo o custo a situação que lhes foi conduzido a esse estado. Saiba em que consiste a agoraphobia, o transtorno psicológico que pode causar um grau de deficiência grave e que afeta 1% da população espanhola

EFE/PAULO KAHNERT

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Agoraphobia: etimologia de origem grega “ágora” praça pública e “fobia” medo, pode nos levar a pensar que essa fobia se reduz os espaços públicos, mas isso não é tudo.

O agoraphobia se refere à prevenção e medo diante de qualquer situação que pode provocar um ataque de pânico e faz perder o controle da ansiedade, explica Antonio Cano, presidente da Sociedade Espanhola para o Estudo da Ansiedade e o Estresse (SEAS).

O agoraphobia pode abranger todo o tipo de situações. A partir de espaços como grandes superfícies onde há aglomerações até a intimidade de um jantar ou o medo de morrer de um infarto, passando por medo de viajar de avião ou trem, aponta o especialista. E observa: “em geral, o tipo de situação nuclear é aquela em que ocorreu um ataque de pânico”.

Gatilhos

O agoraphobia costuma ser precedido de outro transtorno de pânico, e é mais frequente nos jovens.

O especialista aponta que não se pode prever em que momento alguém vai ter um ataque de pânico. Não obstante, existe uma série de fatores de risco que aumentam a probabilidade de que isso aconteça, dando lugar a um transtorno de pânico que depois conduza à agoraphobia:

  1. Ter stress intenso e crônico.
  2. Ser mulher, por razões hormonais e também sociais, o estresse elevado em casa e no trabalho. Ter um síndrome pré-menstrual severo e ter mais alterações hormonais aumentam as possibilidades.
  3. Fumar cigarro ou maconha.
  4. Desenvolver o medo, a ansiedade e as sensações que se experimentam em um dado momento, quando se está nervoso.
  5. Reatividade fisiológica: durante o estresse, há pessoas que reagem com mais ativação cardiovascular ou de outro tipo, como o blush ou o suor. “Se uma pessoa começa a fazer-lhe medo a essas manifestações e dedica-lhes muita atenção, mais aumenta a taxa de resposta que já está tendo”.

Sintomas da agoraphobia

Como se chega a ter agoraphobia? Antonio Cano, explica que os ataques de pânico são uma reação inesperada e inexplicável, surgem rapidamente e atingem seu ponto máximo em apenas dez minutos.

O médico indica que a aparição súbita de medo ou desconforto intenso, pode ocorrer tanto a partir de um estado de calma como de ansiedade”. Durante este tempo, ocorrem pelo menos quatro destes treze sintomas de ativação:

  • Palpitações, batimento poderoso do coração ou aceleração da frequência cardíaca.
  • Transpiração.
  • Tremor ou movimentos.
  • Sensação de dificuldade para respirar ou de asfixia.
  • Sensação de falta de ar.
  • Dor ou desconforto no tórax.
  • Náuseas ou desconforto abdominal.
  • Sensação de tontura, instabilidade, tonturas ou desmaio.
  • Tremores ou sensação de calor.
  • Parestesias (sensação de dormência ou formigueiro).
  • Sensação de irrealidade ou clínico (separar-se de si mesmo).
  • Medo de perder o controle ou de “enlouquecer.”
  • Medo de morrer.

O especialista adverte que, após sofrer o ataque de pânico em uma situação determinada, se a pessoa não recebe ajuda para entender o que aconteceu, surgem dúvidas e medos que “dão voltas sobre o problema e aumentam a ansiedade”, e com isso, aumentam as chances de que se repitam.

Tratamento

O psicólogo aponta que, embora geralmente as pessoas com pânico estão a tomar psicofármacos, “as técnicas que demonstraram ser mais eficazes são as cognitivo-comportamentais”, que começam por uma psicoeducación, a explicação do distúrbio e as diretrizes para evitar que se repita.

Além disso, para que os ataques não ocorram “você tem que controlar os fatores de risco”. Os elementos cognitivos desempenham um papel decisivo, se dá muita importância aos sintomas de ativação pode criar um “círculo vicioso” que se abre para o aumento das sensações de ansiedade e evitamento de situações, o que impede de levar uma vida normal a quem as sofre.

Existe um serviço de orientação da Sociedade Espanhola para o Estudo da Ansiedade e o Stress onde se pode consultar dúvidas escrevendo para o endereço: seas.cons@psi.ucm.es

Actualmente, está a decorrer um ensaio clínico, as consultas de Atenção Primária de cinco Comunidades Autónomas (Madrid, Valência, Castilla-La Mancha, Baleares, País Basco), que compara o tratamento psicológico cognitivo-comportamental em frente ao tratamento psicofarmacológico tradicional, “a hipótese é que funcionará melhor o tratamento psicológico, o que será mais eficaz e eficiente.”

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