“Medicina sem truques” novo livro de J. M Mulet

A medicina baseada na evidência e na demonstração de que suas técnicas, intervenções e drogas têm valor curativo e efeitos terapêuticos. O investigador químico, J. M. Mulet arremete contra as práticas de pseudomedicina, sem base científica, mais próximas das crenças, em seu livro “Medicina sem enganos”

J. M. Mulet/Foto: Toni Sanchís

A homeopatia é a “aristocracia” e a “elite” da pseudomedicina, uma “absurdez” que sobreviveu 200 anos, diz o pesquisador bioquímico José Miguel Mulet, que avisa que “quando um médico se começa a falar de acupuntura ou homeopatia não se está falando como médico, mas como crente”.

Assim o assinala a Efe Mulet, que acaba de publicar “Medicina sem enganos” (Destino), com o subtítulo “Tudo o que você precisa saber sobre os perigos da medicina alternativa”, um livro que -diz ele – está documentado e tem base científica, e com o que quer dar aos leitores “instrumentos para distinguir entre o que é saúde e o que não o é”.

Escrito em tom irônico, está estruturado em três partes. Na primeira, “Medicina”, Mulet tenta responder a como sabe, o médico que tem que receitar e defende que a atual prática médica é o resultado de milhares de anos de estudo da medicina, de muitos ensaios e, também, infelizmente, de muitos erros.

Na segunda, começa a aprofundar as pseudomedicinas: “Só existe uma medicina, que tem base científica”, e a terceira analisa as pseudomedicinas mais populares (homeopatia-segundo ele, o açúcar mais caro do mundo-, a acupuntura ou a psicanálise).

“As mais intolerantes”, que dizem tratar o câncer ou outras doenças graves.

Contra as pseudomedicinas

Depois de contar que isso viola os seus próprios códigos deontológicos (que dizem que devem aplicar a medicina baseada em os últimos avanços científicos), Mulet afirma que as pseudomedicinas “não trouxe nenhum avanço científico em toda a história”.

Este pesquisador ressalta que no momento em que se “tenta enganar” a um paciente, todas as pseudomedicinas dão raiva, mas descreve a homeopatia como a aristocracia deste grupo.

“É que parece que é verdade, está preso na corrente oficial das farmácias”, lamenta Mulet, que sustenta que “há pouca oposição e se poderia fazer mais” por parte dos organismos públicos, que “mantêm-se em uma espécie de limbo legal”.

Aqui não vale a desculpa de que, no final, como são os comprimidos de açúcar, o dano não se pode fazer. A homeopatia pode fazer mal, mesmo que seja por omissão”.

Mulet, que afirma que as pseudomedicinas são mais caras, ressalta que em 200 anos não houve nem uma doença em que o tratamento mais eficaz, ou seja válido a homeopatia, que, ao contrário dos medicamentos, só tem que provar que é inócua, e se pergunta: será que temos genéticos homeopáticos?… não.

Sobre aqueles que dizem que curam, Mulet aponta, entre outros, o efeito placebo, e acrescenta que “a percepção de que a cura não se excede em um ensaio clínico de verdade”.

Pouco interesse pela ciência na mídia

Quanto à presença nos meios de comunicação, declara que, em geral, a Espanha não tem interesse pela ciência.

Na mídia, falta de “espírito crítico” porque, às vezes, se mistura ficção e coisas que não são.

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