Medicina, genética e informática contra o câncer

A Roche Press Day, uma proposta de educação continua sobre temas relacionados com a saúde na América Latina, realizou este ano a sua sexta edição, em Buenos Aires, após as anteriores no Rio (Brasil), Santiago (Chile), Guadalajara (México), Cartagena (Colômbia) e San José

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O trabalho conjunto de médicos, biólogos moleculares, informáticos e especialistas em genética e genómica, sinergia conhecida como “crossfuncionalidad”, é uma forma de avançar na busca da cura do câncer e resolver alguns dos desafios cotidianos que apresenta a ciência médica.

Em uma entrevista com a Efe, o doutor Daniel Ciriano, diretor médico da Roche américa Latina, explica que essa metodologia de trabalho dá bons resultados e conseguir soluções inovadoras para combater o câncer.

O sucesso está na “essa relação do engenheiro que projeta uma máquina que nos permite fazer um diagnóstico com um especialista em genética, por outro lado, precisa de um computador que faça os ‘arrays’ (mapas de dados), para fazer o sequenciamento e a perfilación genômica”, aponta o especialista.

“Se não se trabalha assim hoje em dia não se avança”, acrescenta Ciriano, que participou esta semana no fórum Roche Press Day, que reuniu em Buenos Aires com especialistas da região para trocar experiências e difundir os avanços no controle de doenças como o câncer.

Câncer, segunda causa de morte

De acordo com relatórios da Organização Pan-americana da Saúde, o câncer é a segunda causa de morte na região, atrás apenas das doenças cardiovasculares.

Calcula-Se que mais de 17 milhões de pessoas morrerão de câncer em 2030. Para este ano espera-se também que 80 milhões de pessoas no mundo vivam com a doença.

Ciriano explicou que o câncer é uma doença genética, heterogênea e pessoal”, já que se manifesta na forma particular em cada paciente.

Por isso, ficou para trás o tempo em que cada instituição ou membro da academia trabalhava no solo.

“Fazemos acordos com instituições em diferentes universidades e institutos ao redor do mundo, tendo contato ou proximidade com os cientistas que trabalham em pequenas ou médias empresas de biotecnologia”, detalha Ciriano.

Todo esse intercâmbio de experiências e conhecimentos servem para saber quais são os condicionantes de doenças e entender por que ocorrem.

“Sabemos que, às vezes, são condicionantes genéticos, genoma, às vezes, tem que ver com o mau funcionamento de sistemas enzimáticos, que são os sistemas de sinais que utilizam as células para fazer funções internas ou comunicar-se entre si”, abunda o diretor médico da Roche.

A farmacêutica conta com mais de 80 anos de presença na região, e é líder mundial em medicamentos oncológicos.

Personalização dos tratamentos

“Hoje se busca a personalização dos tratamentos, o que resulta em eficiência e melhores resultados”, esclarece Ciriano, de profissão neurocirurgião.

O especialista diz que outro fator a ser considerado na luta contra o câncer é o de que “cada indivíduo reage de uma maneira diferente” em relação a um “grupo de células que escapa dos controles regulares, que se dissemina indiscriminadamente pelo organismo”.

“Estamos indo para terapias combinadas que, por um lado, apontam para alvos biológicos e, por outro lado, reforçam a imunidade do paciente”, esclarece.

O médico acrescentou que o câncer não é uma doença, o câncer são mais de 200 doenças”, daí a complexidade para gerar tratamentos eficazes.

Além disso, é necessária a colaboração estreita com os diferentes atores dos sistemas de saúde dos países latino-americanos para “ser parte da solução”.

Acesso aos tratamentos

O acesso aos últimos tratamentos contra o câncer, assim como a inovação na luta contra a doença, também foram abordadas no Roche Press Day.

“Precisamos que cada paciente tenha acesso aos medicamentos que fornecem o nosso processo de inovação”, disse em entrevista à Efe Jörg M. Rupp, presidente da Roche Brasil, o gigante farmacêutico que congrega na capital argentina especialistas de todo o continente em um fórum de dois dias.

Rupp lembrou que este padecimento, ele toca em uma de cada três pessoas: “Todos nós temos experiências em nossas vidas, em nossas famílias relacionadas com o câncer”.

Disse que para combater a doença, a inovação, por si só, não gera resultados, já que “é a parte de acessibilidade ao tratamento a que importa”.

O diretor da farmacêutica, cujo esforço se concentra na luta contra o cancro ou a esclerose múltipla ou a hemofilia, destaca que seu objetivo é “cada pessoa que precise de um medicamento ou produto possa beneficiar”.

Explicou que o panorama na América Latina implica grandes desafios para garantir que os pacientes tenham acesso a remédios e tratamentos, já que existe uma “adoção lenta de métodos de diagnóstico e de tratamentos inovadores”.

Também considerou que existem carências em infra-estrutura de saúde e treinamento para profissionais, e um financiamento insuficiente.

Quatro áreas de atuação

Com o conhecimento que existe sobre as diversas realidades da região, a empresa que dirige Rupp identificou quatro áreas em que estão trabalhando.

A primeira é aumentar a consciência sobre a doença, para que cada pessoa exerça da melhor forma a sua própria saúde.

A segunda é melhorar o diagnóstico precoce, o que repercute na proporcional “o tratamento adequado para o paciente certo”.

A terceira linha de ação busca fortalecer o treinamento e a capacitação em matéria de educação médica.

E a última “trabalhar com todas as partes interessadas em criar formas de financiamento sustentável e preços flexíveis para medicamentos e tratamentos”.

O investimento da Roche em pesquisa e desenvolvimento atinge 20% de suas vendas, que no exercício de 2016 somaram 52.427 milhões de dólares, o que equivale a um crescimento de 4% em relação ao ano de 2015.

No ano passado tiraram quatro novos medicamentos e a FDA dos EUA lhes concedeu cinco designações de terapias inovadoras ou avanço terapêutico decisivo.

Na américa Latina, suas vendas aumentaram em 18 % e o investimento na região atingiu os 73 milhões de dólares.

Cerca de 190 milhões de pessoas na américa Latina não têm acesso à saúde, devido a factores económicos.

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