Medicina do Sono, imprescindível para a qualidade de vida

Entrada do centro cultural Agostinho de Campinas, espaço em que foi realizada a Reunião Anual da Sociedade brasileira do Sono. Fornecidas pela SES.

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Entre o último dia de março e os dois primeiros de abril, o centro cultural Santo Agostinho, em Campinas, se transformou em um cenário em que neumólogos, neurologistas, otorrinolaringólogos e até mesmo engenheiros têm debatido sobre a situação e os avanços da Medicina do Sono.

O presidente da Sociedade Espanhola do Sono, José Terán, lançou as bases dos objetivos deste congresso: “É muito difícil transmitir para a população em geral e as autoridades as consequências de algo tão comum como dormir mal, porque o sono é um processo ligado à vida, a saúde e a doença”.

Embora se tenha tratado de um encontro, principalmente, de caráter nacional também contou com a presença de médicos especialistas em sono de outros países.

A falta de sono e sua relação com outras doenças

Destacou-se, por exemplo, o doutor David Gozal, presidente da Associação Americana do Tórax e pioneiro no estudo dos distúrbios do sono durante a infância e a relação entre os distúrbios do sono e as doenças metabólicas, cardiovasculares e do neurocomportamiento.

Segundo declarou Gozal a EFEsalud, ainda existem pessoas que dizem que lhes basta dormir apenas cinco horas por dia, ou, pelo contrário, que precisam de até 12, “isso é uma bobagem, porque 99% da humanidade deve dormir entre 7 e 12 horas de média”.

Entre as pesquisas que deu a conhecer do departamento de pediatria da Universidade de Chicago, salientou a seguinte:

  • A interrupção do sono e a diminuição do oxigênio que ocorre em pessoas que sofrem de apneia produzem alterações na gordura corporal e predispõem à obesidade, ao diabetes e até há pesquisas que relacionam com o câncer.

Para lutar contra este tipo de distúrbios do sono é essencial começar a trabalhar a partir da fase da infância.

Sobre isso falou também a diretora de pesquisas clínicas e professora de pediatria da Universidade de Chicago, Leila Kheirandish-Gozal, que disse que “se o sono for interrompido ou é de má qualidade, o metabolismo da criança se desregula”.

Além disso, a razão por que as crianças têm um peso maior em proporção com a idade que têm “é porque eles passam muito tempo assistindo à televisão, jogando com as consolas de jogos ou em frente a um computador”, acrescentou.

Os distúrbios do sono na infância

No que diz respeito ao sono na infância se pronunciou Gonzalo Pin, pediatra da Unidade do Sono do Hospital Quirón Saúde de Valência, que assegurou que a insônia se confirma quando se dá, pelo menos, três vezes por semana durante um período de três meses.

Além disso, apontou os fatores que podem perturbar o sono nesta fase e dar lugar a futuros transtornos:

  • Biológico/Neuroendocrino/Genético: A separação da criança durante as primeiras horas de vida da mãe, por vezes, ocasiona distúrbios do sono. É neste momento em que se produzem as remodelações neurais.
  • Ritmo circadiano: Não só é importante nos primeiros dias ou meses de vida. A partir dos 6 meses, a variância vai depender 65% do ambiente familiar. Com o passar dos anos vai atrasar a hora do início do sono e vai encurtando antes de sua duração, pelo que se produz um atraso de os níveis de cortisol, melatonina…
  • Ambiente: Não depende apenas da luz, mas como alimentamos as crianças. De acordo com o doutor o início da secreção de melatonina aumenta quando o ambiente é escuro e diminui quando há muita luz.
  • Educação: Quanto mais tempo se dedicar à higiene do sono haverá menos problemas a longo prazo.

Assim trabalham os especialistas em sono

Uma das mesas da reunião anual foi protagonizada por os casos práticos que expuseram os especialistas Andrea Crespo, do Hospital Universitário de Rio Hortega de Campinas, e Juan Santamaría, do Hospital Clínic de Barcelona.

Como o paciente está dormindo? você está acordado? como é que está? Perguntas como estas, lançaram os participantes que tinham que descobrir através das polisomnografías –ou estudos do sono – que projetavam como se encontrava o paciente.

Se em algo concordaram todos, foi uma das grandes surpresas que levaram, quando os vídeos revelam a solução.

Os avanços tecnológicos

E é que os avanços tecnológicos têm permitido que a Medicina do Sono progrida cada vez mais. Neste sentido, não se deve negligenciar elementos tão importantes como o registro acústico da respiração do paciente.

De acordo com Raimon Jané, pesquisador da Universidade Politécnica da Catalunha, “13% dos homens e 6% das mulheres sofre de apneia moderada e severa” por isso que, para alcançar uma melhor detecção cada vez mais se presta mais atenção aos sinais acústicos.

Jané detalhou que com uma técnica tão pouco intrusiva como colocar um ou dois microfones se pode recolher informação relevante

Em sua opinião, “é necessário” dar também a importância de ronco e diferenciá-los, assim como estudar o som da respiração na fase de vigília. Todos são pistas.

Também não faltou a palestra sobre a utilidade do “Big Data” e em Medicina do Sono. Daniel Álvarez, pesquisador da Universidade do Rio Hortega de Campinas, salientou que a análise de dados em massa permitem fazer diagnósticos mais precisos e implementar a medicina personalizada.

Futuro da Medicina do sono

Aproveitou-Se também a realização do congresso, para a apresentação de quatro guias relativas ao sonho que em breve serão publicadas.

Para a população em geral fizeram com especial ênfase no guia de Hábitos de Sono Saudável e no guia do Síndrome de Apneia do Sono e Condução de Veículos”.

As outras duas têm um enfoque mais técnico; um guia prático de exploração da via aérea superior e a da capnografía de uma unidade do Sono.

De acordo com José Terán, a SES já “pode orgulhar-se de contribuir para o avanço de distúrbios do sono”

É algo que o doutor Gozal compartilhe mas agora o que preocupa é esta pergunta: “Qual é o futuro da humanidade em Medicina do Sono?”.

David Gozal salientou que a Medicina do Sono deve estar presente em todas as disciplinas médicas e da sociedade em geral; “se não introduzirmos conhecimento a nível público, será algo exótico, dado por poucos e que apenas a ajudá-lo a uns poucos”.

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