Medicina cardiometabólica: rentabilidade pessoal e económica

A prevenção é a medicina do futuro e os aspectos que lida com esta moderna especialidade permitem já não curar, mas evitar, por exemplo, o primeiro infarto. Uma política de redução de custo de pessoal e econômico que apostou há anos madrid, no Hospital Ramón y Cajal com a pioneira Unidade de Endotélio e Medicina Cardiometabólica

EFE/Orlando Varria

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Nesta entrevista você pode ouvi-la no nosso programa de rádio “O Bisturi”.

Uma abordagem integral de uma série de patologias que anteriormente levavam de forma mais exclusiva dos cardiologistas. “Esta especialidade nasce da união em um mesmo gaveta das doenças metabólicas e cardiológicas; é abordado por médicos especialmente treinados para essa ramificação que tem parte de endocrinologia, medicina interna e cardiologia”, assim define José Saban, coordenador da Unidade de Endotélio e Medicina Cardiometabólica do Hospital Ramón y Cajal de Madrid, esta especialidade; com ele analisamos as suas chaves.

  • A demanda a nível internacional desta especialidade começa a ser importante, mas vocês foram pioneiros nos anos 90 com a criação desta Unidade. Como surgiu esta iniciativa?

O princípio de tudo tem que ver com o papel relevante que teve o endotélio. A nível de investigação, nos anos 80, começam a escrever páginas muito interessantes em matéria cardiovascular, mas, no final do século passado, viu-se que o endotélio (camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos), é possível estudar e tratar; esse é o grande passo com o que nós podemos contribuir:

Nos anos 50, começou o estudo e já sabíamos que o tabaco, a hipertensão, o colesterol , são prejudiciais, isto é chata. O problema está em saber por que este tipo de fatores nos produzem um infarto; quais são os mecanismos intermediários e se podemos agir sobre eles.

  • O que é o que mais afeta a saúde cardiovascular?

Gostaria de sublinhar a importância da genética; sabemos que os fatores citados anteriormente: o tabaco, a hiperglicemia, o excesso de peso, a hipertensão são importantes, mas não nos esqueçamos de que 50% do que podem lesar os nossos vasos, o fazem por nossos genes, independentemente do desenvolvimento de uma série de doenças que predispõem à doença vascular.

  • Quais são as principais diferenças entre a medicina cardiometabólica e medicina clássica cardiovascular?

A diferença mais importante é o foco; enquanto que a medicina cardiovascular tradicional se apóia em um risco epidemiológico, a medicina cardiometabólica o faz com base em dados objetivos: quantifica o dano, com base em uma série de biomarcadores e dependendo do valor desses projeta uma série de estratégias, tratamentos personalizados.

Também se refere ao tipo de prevenção; a medicina tradicional se baseia em evitar o segundo infarto; a cardiometabólica centra-se no primeiro ataque, tenta evitar que o paciente tenha um primeiro infarto.

Outra diferença, seria a preocupação com o efeito do envelhecimento, tanto o vascular como o sistêmico. A medicina cardiovascular convencional não tem um interesse especial no envelhecimento, no entanto para a cardiometabólica é fundamental, não só o geral, mas o propriamente vascular.

O copo envelhece fruto do passar dos anos, independentemente do que tenhamos o colesterol, a diabetes e a pressão alta; o copo tem um processo de envelhecimento, ele tem muita importância na parceria com esses fatores, mas eu queria retomar a importância da genética. Nem todo mundo envelhece igual na pele como nem todo mundo envelhece como a nível vascular; além disso, pode-se medir. Há técnicas muito simples para avaliar o grau de envelhecimento dos vasos sanguíneos. Não há que esperar para ter doenças, mas que em qualquer idade é possível saber se os seus vasos estão de acordo com a idade biológica do paciente.

Se vou ter uma lesão dentro de “x anos” eu quero saber qual é a situação do meu leito vascular e isto relaciona-se com outra diferença que eu gostaria de sublinhar: a abordagem dos estilos de vida.

A medicina cardiovascular clássica dá a maior importância dentro dos estilos de vida a não fumar e dieta. A medicina cardiometabólica coincide em que não fumar é muito importante, mas quanto à dieta dá mais importância até mesmo para o exercícioem que a dieta; com isto não digo que a dieta não seja importante, mas que o exercício tem valores muito importantes independentes da dieta.

O exercício não tem que ser sinônimo de ginásio; é uma forma de vida, não usar o elevador ou as escadas rolantes. Não vejo a jovens no metro, subindo as escadas normais, é muito atraente.

  • É este medicamento diminui os custos?

Quando algo não é geral, talvez, pensamos que é mais caro, mas se não o fizermos, não podemos evitar, e caímos nesse primeiro infarto; os custos desse paciente em todos os sentidos, monetários e pessoais, acabam sendo maiores.

O Que quer Que seja personalizado faz com que seja uma medicina mais cara? Será mais cara a curto prazo; a longo prazo são estratégias que acabam economizando custos. Precisamos de colaboração com economistas da saúde que devem marcar as diretrizes porque o médico nem sempre está treinada para fazer um bom estudo de custos. Nesse sentido, a integração com outros profissionais de outras áreas é fundamental.

Este tipo de abordagens, pelo menos na nossa experiência, está sendo muito rentável; ganhamos no decorrer do ano muitos infartos do miocárdio; só um custa mais do que tudo o que se consome nesta Unidade em um ano.

  • Para quem está indicada a medicina cardiometabólica?

Todo o mundo é um paciente para a medicina cardiometabólica, é outra diferença com o cardiovascular. Para esta última é um doente, o hipertensos, o colesterol alto, o infartado, o diabético… para a medicina cardiometabólica todo o mundo é passível de avaliação. Depois individualizando o acompanhamento em função do risco de cada um e os resultados obtidos se projeta o acompanhamento.

Cada vez temos mais familiares de pacientes que antes temos estudado que nos consultam desde jovens. Mas essa ajuda antes, onde ia um a perguntar sem ter a tensão alta, nem colesterol? Não posso ir a um cardiologista. Nós assistimos a sujeitos preocupados porque tiveram um evento em família e que ninguém lhes tenha esclarecido o porquê; lá estamos nós.

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