Medicina anti-envelhecimento, prevenção para viver 120 anos

Você chegará a espécie humana a viver 120 anos? Soa a ficção científica, mas pode estar mais perto do que parece. A medicina anti-envelhecimento está alcançando um grande desenvolvimento, embora este termo já está ficando em desuso. Agora se fala de uma medicina preventiva, pró-ativa, preditiva e personalizada; em suma, medicina de precisão

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A tendência para a personalização da medicina não é nova, mas sua aplicação ainda é difícil. Essa filosofia também atingiu a medicina anti-envelhecimento.

Com motivo da celebração do XVI Congresso da Sociedade Espanhola de Medicina anti-Envelhecimento e Longevidade (SEMAL), EFEsalud falou com o Anjo Durántez, membro desta sociedade, para conhecer a situação e as peculiaridades de medicina de precisão aplicada ao atraso do envelhecimento, um momento da vida que se esconde a todas as pessoas, mas que não é considerada uma doença.

Como conta o médico, o principal objetivo desta medicina de precisão é detectar a doença em sua fase silenciosa ou subclínica, e esta se situa entre 5 e 20 anos antes de seu primeiro sintoma, quando ainda se pode prevenir.

“O envelhecimento é inerente e causa das doenças que nos vão levar a sofrer a terceira parte de nossa vida e a morte, mas pode ser evitada com muitos anos de antecedência”. Dado que é causado por doenças que desencadeiam a deterioração, o médico considera que impedi-los é travar este processo, mesmo que as células continuem envelhecendo.

Conseguir isso seria uma contribuição para o aumento da esperança de vida. Alguns artigos acadêmicos falam de um aumento notável dentro de quinze anos, situando o recorde em mulheres sul coreanas acima dos 90 anos de vida média, como conta Anjo Durántez.

O doutor explica que a tendência atual consiste em um aumento da esperança de vida de três meses após cada ano que passe, mas se trata de uma tendência exponencial, o que fará com que dentro de cinco anos pode aumentar quatro meses a cada ano, e assim por diante, até chegar à velocidade de escape. Isso significa que, a cada ano que passe, a esperança de vida aumentará também um ano graças a magnitude dos avanços científicos. Estima-Se que este ponto será atingido em 2050.

“Sabe-se também que, se hoje existem cerca de 16.000 centenários em Portugal, em 2065 vai ter mais de 200 000”. A dia de hoje ninguém superou a francesa Jeanne Calment, que viveu 122 anos e 164 dias, e morreu em 1997. A dúvida está em qual será o limite de aumento progressivo, que actualmente se situa “entre os 120 e os 130 anos”.

“Quanto a que sobrepasemos esse limite, eu sou mais cético, embora as afirmações de que o apoiam têm o seu sentido. O melhor deste debate é equivalente a que no século XVI alguém falasse a anestesia atual ou da resistência aos antibióticos”, pondera o médico.

Além disso, considera que ultrapassar essa idade máxima implicará ações especificamente concebidas para esse fim, ou seja, que não se pode alcançar de forma natural através de hábitos de vida saudáveis e a prevenção de doenças. “Se uma das nove causas do envelhecimento, tal como publicou López Otín em um de seus estudos, é o encurtamento dos telómeros, e, além disso, esse encurtamento repercute diretamente em cinco dessas nove causas, o que aconteceria se os prolongamos?“.

Alongar os telómeros

Os estudos de Maria Blasco em ratos afirmam que sua vida saudável aumenta 40% com o alongamento dos telómeros, o que equivaleria a que a maior parte dos humanos alcançassem os 115-120 anos, de acordo com a científica.

“Pode ser possível, ou talvez se encontraria algum outro bug que desconhecemos no momento, mas em ratos foi visto que melhoram tanto a esperança de vida máxima, como sua qualidade, uma vez que aumenta a vida livre de doença (que em humanos é, aproximadamente, até os 40 anos). No entanto, ainda não foi aprovado a realização destes estudos de terapia gênica em humanos, embora vários pesquisadores estão trabalhando em obtê-lo.

As considerações éticas são um dos principais inimigos essas questões. Nesta linha, o médico examina-se: “Também conseguimos prolongar a vida fazendo transfusões de sangue ou transplante de órgãos, o que há 200 anos poderia surgir como um motivo para se queimar na fogueira. Por isso, eu acho que, cedo ou tarde, vai chegar [referindo-se à aprovação destes estudos].

Tendo em conta os diferentes abordagens da medicina antienvelhecimento, Anjo Durántez fala de “duas medicinas”: a parte científica -de que são representantes María Blasco e López Otín-, os longevitistas -algo assim como os filósofos que vêem o que vai acontecer, como Aubrey De Grey e Jose Luis Cordeiro; e a parte preventiva do Age Management Medecine Group ou da SEMAL, “que somos médicos que nos dedicamos a adiar o aparecimento da doença, do envelhecimento e a tentar manter os melhores padrões de vida intelectual, sexual, física, de aparência…”.

Medicina anti-envelhecimento de precisão

E é nesta parte clínica onde a prevenção adquire especial importância. Para realizá-la é necessário identificar os indicadores que denotam a existência destas doenças e procurar níveis de excelência. “Não devemos ficar satisfeitos com uma glicose de 110, porque está no caminho certo para a pré-diabetes, ou nos conformar com um colesterol LDL 135”.

Anjo Durántez classifica as doenças que levam ao envelhecimento em cinco grupos: as cardiovasculares, o câncer, as doenças metabólicas (com as diabetes na cabeça), as doenças neurodegenerativas e as do aparelho locomotor (artrose, osteoporose e sarcopenia).

Quando as doenças dão os primeiros sintomas, já é tarde para esta abordagem. É Por isso que a medicina preventiva “se encarrega de detectar antes e vigilarlas durante o caminho para tentar que não se desenvolvam ou que o façam da forma mais lenta possível. Você não pode evitar a artrose, mas se você não se move e seus músculos são fracos, as chances de que se desenvolva são muito grandes”.

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