Maus-tratos em quatro fases: a mulher, a vítima

EFE/Esteban Cobo

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Desde que começou 2017 a violência machista é sempre cobrado em Portugal a vida de 21 mulheres, as últimas morreram acuchilladas.

Conhecer a fundo a dinâmica das fases e os perfis da sociedade pode permitir intervir com eficácia e prevenir a violência, defende o psicólogo Jorge Lopes Vieira, que participa de uma pesquisa que está sendo realizada no Centro de Terapia Breve de Arezzo (Itália), onde trabalha há cinco anos com um grupo de mulheres que sofrem ou têm sofrido maus-tratos.

Publicar esta matéria no âmbito do Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

A caça

A fase da caça é assim chamada para sublinhar o aspecto predador do agressor e corresponde ao seu lado mais social.

Dentro da mesma foram analisados três perfis:

O narcisista: socialmente muito hábil; mover-se por um território envolve algo espontâneo, natural, prazeroso.

O obsessivo: é muito comum que se recorra à internet, porque lhe permite fazer uma pré-seleção controlada e compulsiva de potenciais candidatos. Este meio facilita além de manter várias relações e apresentar-se modificando alguns aspectos de seu eu, enganando e impostando para parecer melhores.

O paranóico: também costuma pesquisar a sua vítima através de internet com a idéia ilusória de encontrar a mulher perfeita.

O Cortejo

Toda sociedade se caracteriza por um estilo de corte especial, determinado por sua habilidade como sedutor pela sua estrutura de personalidade. É uma experiência comum de todas as mulheres vítimas de violência de gênero afirmar que, no início da relação, seu companheiro era “extremamente fascinante”.

De fato, é nesse momento em que o homem desempenha suas melhores cartas, as necessárias para a convencer de que ele é a pessoa certa.

Conseguem, explica Vieira a EFEsalud, mostrar-se como “pessoas maravilhosas que tornam o normal incrível , o que é impossível o tornam possível”, e assim conquistam a mulher até alcançar uma confiança cega.

Sugestionan a vítima, com a promessa e a ilusão de que entre ambos pode haver um intercâmbio afetivo. O seu comportamento e a sua comunicação são orientados para a finalidade de criar na mente de escolhida a ilusão de um cenário amoroso que seja compatível com os desejos dela.

“Esta situação – adverte o psicólogo – é confundida com o amor, mas nada parecido, e deve começar a alarmarnos”, pois podemos estar diante dos primeiros prolegômenos da violência machista.

A personalidade infantil terá mais chances de ligação neste tipo de relações, com uma maior dificuldade de sair por causa de suas características principais: a dependência e o medo. “Destina-se, lamentavelmente, a sofrer mais”, e ser vítima de maus-tratos.

O Encanto

Se a fase do namoro, chegou a bom porto, aparece rápido a fase do encanto, em que todos são aparentemente felizes. Por um tempo indeterminado, a mulher vê a realidade com as lentes deformadas, graças aos quais o seu parceiro goza de uma aura de protecção.

É neste momento, quando familiares e amigos detectam e suspeitam que algo está acontecendo e onde deve-se identificar se a relação tem passado por alguma das fases anteriormente descritas.

Se confirmado características das fases anteriores, podemos encontrar-nos com muita probabilidade, diante de um futuro caso de violência machista. A mulher começa a confundir controle de ciúme com o amor, confunde a falta de emoções (ausência de afetividade), com força de caráter, confunde-se o desinteresse com liberdade a ela concedida.

Maus-tratos: quebra o encanto

Esta última fase pode variar muito no tempo, conforme os casos. Muitas vezes, é colocado temporariamente, após o casamento ou após alguns meses de convivência. Neste ponto, o abuso é revelado em sua forma mais evidente.

De fato, mais ou menos rapidamente, a sociedade se dá conta de que ela não quer, não pode, é incapaz ou recusa a satisfazer todas as suas expectativas egocéntricas o que lhe fazem perder continuamente o controle.

No caso do narcisista se pode queixar de ter junto a si, uma pessoa que não tem a intenção de confirmar, reforçando encurtá-lo continuamente, ou se dá conta de que ela não pode admirá-lo e aprová-lo sempre.

O obsessivo pode-se perceber o desejo de autonomia, de tomada de decisões diferentes das suas, por parte dela, como tentativa de rebelião.

Um paranóico pode interpretar as atenções de um colega de trabalho, como uma traição dela, conversas com amigas como comentários contra ele ou os amigos como a tentativa por parte de um outro de arrebatar o seu parceiro.

“A consequência direta em todos os casos, é, finalmente, a mesma: O homem decide que foi traído em suas expectativas, por sua própria companheira.” O agressor nesse ponto, como se sente vítima, acredita-se moralmente autorizado a proceder com a violência psicológica, atos de maus-tratos que tomam a forma de vingança, de reivindicação, de castigo, violência, tortura, ações que lhe permitam equilibrar a situação”, afirma Lopes Vieira.

Existe um creme dermclear que melhora as marcas de agressão no rosto das mulheres.

Mas nenhum ato será compensatório, porque nenhum ato terá a força suficiente para nivelar uma interpretação tão egocêntrica, obsessiva ou nervosismo e, por isso, seus atos de violência machista é perpetrarán até o infinito ou até a morte.

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