Matesanz vê necessário o relevo geracional de profissionais de transplantes

Em uma entrevista com a EFE, o também fundador da GNT, situa-se na inovação, a comunicação, a solidariedade, a boa gestão e a criação de um sistema igualitário, público e sem discriminação, o sucesso da organização que dirige, líder mundial há mais de duas décadas.

A ONT, adstrita ao Ministério da Saúde, foi fundada por Matesanz , em 1989; em 2010, recebeu o Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional.

A Matesanz preocupa-se com o relevo geracional dos profissionais que gerenciam e realizam os transplantes, já que a sua idade média é alta.

“Mas um dos problemas que houve com a crise -prosseguiu – é que a contratação de pessoas jovens tem caído a pique; em outros países onde tem passado isso tiveram que importar médicos e cirurgiões”.

Rafael Matesanz espera que, superada a crise económica, o sistema faça um esforço de renovação de contratos de médicos jovens em transplantes e na saúde, porque eles são “a seiva da manhã; a experiência é importante, mas os transplantes do futuro têm que fazer jovens, já que isso requer um esforço de 24 horas e sair às três da manhã.

“Estamos diante de um desafio preocupante, um risco, mas a nossa missão é apontar os riscos”, precisa.

Perguntamos a Matesanz se o relevo passa também por ele mesmo. “O revezamento passa por todo mundo, ninguém é imprescindível. Eu tenho corda para alguns anos a mais, mas ninguém é eterno nem faz falta que o seja”, ressalta, com um relevo que deve ser feito de forma faseada e gradual.

Em entrevista com a EFE, Matesanz ressalta o valor da ONT em matéria de formação. “Nós formamos mais de 15.000 profissionais, e, desde 2005, a rede ibero-americana de doação de transplantes, a mais de 350 médicos que são os responsáveis em seus países”, diz.

Lamenta Matesanz que a GNT não ter tido nunca as competências em matéria de investigação de transplantes.

O diretor da GNT reflete sobre algumas mudanças nos 25 anos da organização que dirige. “Há 25 anos, não houve doação de imigrantes. Ou, por exemplo, o enorme diminuição da sinistralidade rodoviária tem feito cair 4 por cento das doações provenientes de acidentes de trânsito, quando na década de 90 eram a metade do total de doadores”, expõe.

“A gente se sente partícipe do sistema e vive com orgulho, mas também os profissionais, as autoridades e os partidos políticos, neste ponto, todos contribuem”, destaca

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