Matesanz, pede “tolerância zero” com os transplantes ilegais de órgãos

O diretor da Organização Nacional de Transplantes (ONT), Rafael Matesanz, pediu “tolerância zero” contra o chamado “turismo de transplantes” ou tráfico de órgãos, de que em Portugal conhecem-se sete casos de pessoas que vieram de países como a China ou Peru

O diretor da GNT, Rafael Matesanz/Foto:Jesús Diges

Artigos relacionados

Sexta-feira 07.09.2018

Quinta-feira 06.09.2018

Quarta-feira 05.09.2018

Os transplantes ilegais de órgãos, destacou Matesanz, podem constituir, segundo a OMS cerca de dez por cento de todos os que se fazem no mundo e, por isso, é “uma das lacras mais lamentáveis que tem nestes momentos a humanidade”.

Rafael Matesanz, que participa no seminário sobre Transplantes de Órgãos Sólidos organizada pela Clínica Universidade de Navarra, foi lembrado nesse sentido, a denúncia apresentada pelo GNT contra Oscar Garay, o português que se submeteu a um transplante de fígado na China, e que depois fez “apologia” desta prática em reportagem publicada no dia 5 de maio no suplemento V do grupo Vocento.

O saber, neste caso, tem-se assinalado Matesanz, em conferência de imprensa, a GNT consultou a todos os equipamentos de transplante de Portugal, já que, quando uma pessoa vai para o estrangeiro para se submeter a uma intervenção deste tipo, por sua vez, precisa de cuidados e medicação crónica e isso “não é algo que se possa esconder”.

Três casos de transplantes de fígado ilegais

Dessa forma, é sabido que, em toda a história de Portugal, houve três casos de transplantes de fígado ilegais, inclusive o de Garay, os três comunicados do Hospital de Cruzamentos de Bilbao, e quatro de feijão, estes já de há muitos anos, explicou Matesanz.

A GNT tem denunciado a Garay não por ser feito na China um transplante de fígado de uma pessoa a ser executada, afirmou Matesanz, mas por fazer apologia desta prática, algo que está previsto como crime no Código Penal.

O responsável pela Organização Nacional de Transplantes explicou que o caso de buenos aires, foi considerado inadequado para um transplante em duas revisões realizadas em hospitais de Bilbao, Pamplona e Barcelona, e, portanto, essa decisão médica não foi, em absoluto, caprichosa”.

No entanto, o paciente pagou dinheiro por um transplante ilegal de fígado na China no ano de 2008, o fez já em 2010, em reportagem publicada no domingo, disse que “está disposto a ajudar a todos aqueles que querem seguir esse caminho”, denunciou Matesanz.

De fato, assegurou, desde que Garay fez o transplante há cinco anos, duas pessoas se dirigiram a ele para pedir-lhe informações, mesmo que ao final não se atreviam a dar o passo de ir para a China para se submeter à intervenção.

A GNT não pode olhar para o outro lado

Se você realmente Garay foi posto em contato com outros pacientes com pessoas que na China se dedicam ao transplante ilegal de órgãos, trata-se de “um crime muito grave”, declarou o diretor da GNT, um organismo dependente do Ministério da Saúde que, nestes casos, não pode “olhar para o outro lado”, embora não se trate de uma questão de “agradável”.

Os espanhóis, acrescentou, têm a “fortuna” de viver em um país que leva 21 anos liderando o ranking mundial de doações e transplantes e que tem conseguido “segurar” as listas de espera e até mesmo fazê-los descer no caso do transplante de rim, algo que não acontece em nenhum país do mundo”.

Matesanz salientou que em Portugal se dá a todos os cidadãos “as máximas oportunidades sem nenhum tipo de discriminação” e, portanto, “a possibilidade de que alguém vá buscar essas ‘soluções mágicas’ fora simplesmente não tem sentido.

A sociedade, tem assegurado, deve-se entender que, em matéria de transplantes, “nos custou muitos séculos passar da ‘lei da selva’ do século XXI”.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply