Matesanz, novo membro da Real Academia de Medicina

Rafael Matesanz, diretor da Organização Nacional de Transplantes (ONT), recebe o Título e a Medalha de Acadêmico Correspondente Honorário da Real Academia Nacional de Medicina (RANM) por sua grande contribuição para a saúde espanhola: o sistema português de transplantes é referência no mundo

Foto: assessoria de Imprensa RANM.

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A cerimônia, presidida pela ministra da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade, Ana Mato, contou com a Laudatio do professor e Acadêmico de Número, Henrique Moreno, que deixou claro que Matesanz é uma referência a nível mundial no tema de transplantes desde que assumiu a direção da GNT, em 1989.

“Em 1992, a Espanha já tinha passado a ser um líder mundial em doações, um posto de honra que se manteve até hoje, 21 anos depois, com umas figuras de 33 a 35 doadores por milhão”, enfatizou Moreno.

“O milagre dos transplantes: o modelo espanhol”

Esse foi o título da conferência que proferiu Matesanz, após agradecer a distinção, especialmente por ser de seus “colegas médicos”. Em sua palestra ele explicou em detalhe em que consiste o “modelo espanhol” de transplantes e quais são as chaves de seu sucesso.

Além da generosidade da população para doar órgãos, de leis de portas abertas para a gestão de transplantes e de campanhas publicitárias, o “modelo espanhol” aponta para outra coisa: a eficiência do sistema.

Para garantir a continuidade dos processos, “foi feito um grande esforço na formação de pessoal e dedica uma grande atenção aos meios de comunicação”, afirmou.

O presidente da GNT também destacou as vantagens econômicas que representam os transplantes renais para o país:

Além disso, fez ênfase em que o “modelo espanhol” não só quebra recordes em números de doação, já que a Espanha é o país do mundo onde os cidadãos têm mais possibilidades de aceder a um transplante quando precisam”, mas em matéria de qualidade.

Nas palavras de Matesanz: “os estudos comparativos de transplantes renais entre Espanha e Estados Unidos demonstram que, em dez anos de intervenção, apresentamos uma vantagem muito significativa”.

Os desafios

Apesar das conquistas que obteve a GNT, não é de todo fácil. Matesanz, explicou que “apenas uma em cada dez pessoas que precisam de um transplante finalmente consegue” e que, por isso, é fundamental continuar a trabalhar na detecção de mais doadores.

Além disso, argumentou que as equipes de coordenação para transplantes em Portugal são compostos por cerca de “400 pessoas para um país de 47 milhões de habitantes”, o que representa um desafio diário para continuar recebendo os objetivos.

Inovação e cooperação internacional

Matesanz afirmou, em declarações à EFEsalud seu interesse na inovação para manter as estatísticas de doação no topo: “Estamos inovando continuamente. Se não estivéssemos mudando, há muito tempo que teria caído da doação”.

“O que fazemos agora não tem nada que ver com o que fazíamos há dez ou há quinze anos, hoje lidamos com doadores diferentes, maiores, mais complexos e custa muito mais detectá-las, mas no final o sistema funciona bem”, acrescentou.

Também ratificou o seu compromisso com a cooperação internacional, porque “aprendemos muito de países como Alemanha, França e Inglaterra, em matéria técnica e de cirurgia, e nós o que temos desenvolvido é a organização”.

Nesse sentido, Matesanz considera que Portugal deve contribuir com a sua força, tanto na Europa como na américa Latina: “somos especialistas em organizar a qualquer país que nos peça ajuda se a nós pagaremos felizes porque, ao final, o que se consegue é melhorar a saúde e salvar muitas vidas, que é o nosso principal objetivo”, concluiu.

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