Marketing, legislação e mitos impedem a amamentação no México

Uma mulher dando o peito para o bebê. EFE/Sáshenka Gutiérrez

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“É uma prática que vai da baixa. Na Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (Ensanut) de 2012, detectou-se que, em média, apenas 14,4 % das mulheres que dão de mamar aos seus filhos”, sendo um dos mais baixos índices na América Latina, juntamente com a República Dominicana”, explica Ana Charfen, consultora em amamentação certificada internacionalmente.

A especialista aponta que uma das principais causas por que as mulheres decidem não amamentar é o vácuo legal que existe no México, apesar das reformas que ocorreram no tema em 2014.

“A legislação do trabalho ainda tem deficiências. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que a amamentação deve durar dois anos, que deve ser exclusivo nos primeiros seis meses”, aponta.

No entanto, no brasil, “as mulheres trabalhadoras nos dão apenas seis semanas antes e seis semanas depois do parto, pelo que há que reinsertarnos ao trabalho e muitas optam por não amamentar”, afirma Charfen.

De acordo com a reforma do artigo 28 da Lei Federal os Trabalhadores ao Serviço do Estado, as mulheres podem decidir durante a amamentação entre contar com dois reposos extraordinários por dia, de meia hora cada um.

Além disso, podem desfrutar de uma hora por dia para amamentar seus filhos ou fazer a extracção de leite em um local adequado e higiênico.

No entanto, a especialista considera que o ambiente de trabalho para a mulher mexicana não favorece esta prática, que, ressalta, previne um dos problemas maiores de saúde: a obesidade infantil.

Por outro lado, Charfen assegura que, apesar de o Governo lançou campanhas para promover a amamentação materna, são resultado ineficientes.

“Há alguns anos, o governo da Cidade do México fez uma campanha, mas não refletia as mulheres mexicanas, era um pouco agressiva. No discurso que diz que apoia a amamentação”, afirma.

Na legislação não se reflete esse apoio, indicou, e não há alimentadores de leite (ambientes condicionados para que as mães possam extrair o seu leite).

A desinformação tornou-se um dos principais freios para que as mulheres optem por alimentar seus filhos com leite materno.

“A ideia de que a amamentação vai te fazer escrava de seu filho, que é muito recorrente e que dói, fazem com que esta se veja de forma negativa”, garante.

Do mesmo modo, detalhou, a pressão social por tirar-lhe o peito ao bebê logo fazem com que muitas mães se recusem a esta prática “, pois seu núcleo social, critica-se dar peito mais de um ano”.

Aleitamento materno no Brasil: Problema com o marketing

Além disso, o marketing de produtos de aleitamento artificial tem afetado a amamentação natural.

“Muitas mulheres, quando saem do hospital, lhes dão um pote de leite, além de que lhes dizem que devem dar de comer ao bebê a cada três horas, por 10 minutos e depois complementar com leite artificial, isso afeta a produção natural de leite”, explica.

É por isso que o especialista pede não só que se conciencie sobre a importância do aleitamento materno, mas que se regule os fabricantes de leite artificial.

“A OMS fez um código para regular a leite artificial, que diz que não se pode fazer publicidade da fórmula, mas se faz”, disse a especialista, que considera precisa multar as empresas, centros de saúde e os laboratórios que promovem esse produto.

Para que a amamentação funcione, a especialista recomenda alimentar o bebê nas duas horas seguintes ao nascimento e depois dar-lhe livre demanda.

Em caso de dúvidas, pede às mães aproximar-se a associações especializadas para aprender e praticar.

O nosso leite é de ouro, mas não sabemos, isso ninguém nos diz. Esta é uma atividade que não devemos perder, é algo que todas as mulheres deveríamos ser capazes de enfrentar”, conclui.

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