Mais de 8.000 enfermeiras espanholas trabalham no estrangeiro

Uma enfermeira regula um doseador medicinal. Foto fornecida pela Comunicação do Hospital Da Paz

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O estudo analisa os efeitos da crise na emigração de enfermeiros forçada pelo desemprego e a precariedade laboral e mostra que é uma grave perda de capital profissional e humano para a Espanha, um dos que melhor forma estes profissionais.

De acordo com Galbany, “a crise econômica iniciada em 2008, foi suposto que a Espanha tenha passado de um mercado de trabalho estável a produzir cada vez mais enfermeiros que terminam em mercados estrangeiros”.

Escola de Enfermagem de Barcelona, observou-se que entre os anos de 2008 e 2009 houve um aumento na procura destes profissionais para trabalhar no estrangeiro.

Em sua pesquisa, realizada em colaboração com a professora Sioban Nelson da Universidade de Toronto (Canadá), no âmbito de uma bolsa de pós-doutorado na Bloomberg Faculty of Nursing desta universidade, Galbany analisou os fatores que motivam esta emigração através da análise das tendências políticas que afectam a educação em enfermagem e o emprego desta profissão em Portugal entre 2009 e 2014.

Galbany analisou diferentes bases de dados internacionais, bem como artigos científicos, leis e directivas europeias.

Os resultados revelam que, entre 2010 e 2013, num total de 4.580 enfermeiras formadas em Portugal solicitaram ao Ministério da Educação para a acreditação da licenciatura de enfermagem para trabalhar em outro país do Espaço Económico Europeu.

De acordo com Galbany, “em comparação com outras profissões, as enfermeiras foram as que mais solicitaram a acreditação da licenciatura para trabalhar no estrangeiro e só foram superadas pelos médicos em 2013”.

Reino Unido, o principal país receptor

O estudo aponta que, em 2014, havia mais de 8.000 enfermeiras formadas em Portugal trabalhando na Europa e que o país receptor, por excelência, o Reino Unido (5.624 enfermeiros), seguido por França (1.734), Portugal (1.004), Bélgica (304) e a Itália (292).

Entre 2012 e 2014, um total de 1.221 enfermeiros, emigraram para a Alemanha, e a partir de 2012, 150 enfermeiros o fizeram para a Finlândia.

De acordo com Galbany, os fatores que levaram esses profissionais a emigrar foram as mudanças organizacionais no Sistema Nacional de Saúde que têm afetado os recursos humanos.

A autora coloca como exemplo que tem aumentado o número de camas fechadas nos hospitais, “de 11.236, em 2008, a 16.681 em 2013”.

“Portanto, a deterioração da taxa de ocupação de camas hospitalares, desde 2008, ocorreu uma redução do rácio de enfermeiros por mil habitantes, passando de 3,21 em 2010 para 3,10 em 2013”, segundo Galbany, que destaca a redução do gasto público e as reformas no mercado de trabalho.

O estudo de coleta de dados da OCDE de 2013, que reflectem pela primeira vez em Portugal uma redução de enfermagem em ativo de 5.200 em relação ao ano de 2012.

Outros dados do Serviço Público de Emprego Estatal (SEPE) revelam um aumento do número de profissionais de enfermagem candidatos a emprego de 9.257 pessoas em 2010 para 19.639 em 2013, mas em 2014, houve uma redução no número de candidatos a emprego em enfermagem, com 14.161 requerentes.

“Isso se deve, em parte, ao aumento das emigrações enfermeiras durante os anos anteriores”, esclarece Galbany, o que indica que, apesar de tudo, aumentamos o número de enfermeiros graduados nas universidades espanholas, que passaram de 8.368 diplomadas em 2006 a 11.700 graduados em 2014, “o que aumentou a pressão no mercado de trabalho”.

Portugal, à frente da formação de qualidade

Galbany assegura que “a Espanha e a Noruega são os países que melhor formam os enfermeiros na Europa”, mas enquanto que a Noruega tem um rácio de enfermeiros de 20,15 por cada 1.000 habitantes, em Portugal é de 5,39.

“O sistema de saúde português não tem a capacidade de absorver a suas enfermeiras e elas acabam emigrando. Emigrar é, basicamente, conseqüência da precariedade de trabalho e repercute negativamente na qualidade dos cuidados de enfermagem no país de origem, pois aumenta a carga de trabalho, o que significa que as enfermeiras dedicar menos tempo a seus pacientes”, conclui a professora.

“Portugal precisa dos seus enfermeiros, agora e no futuro. Cuidémoslas tanto quanto elas se importam”, pede Galbany.

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