Mais de 65.000 doentes de hepatite C tem sido tratado com novos medicamentos

EFE/Christian Brun

Segunda-feira 10.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Esta informação foi facilitado o secretário-geral da Saúde, Javier Castrodeza, na Comissão de Serviços de Saúde e Sociais do Congresso, cujos parlamentares começaram ontem a sessão rendendo homenagem ao hepatólogo falecido Joan Rodés, que, em 2015, liderou o Comitê Científico encarregado de elaborar o Plano Estratégico Nacional para a Abordagem da Hepatite C.

Um plano que, segundo Castrodeza, é “um marco” na décima legislatura, por ter permitido tratar 65.252 pacientes desde que começou e até o passado mês de novembro.

Em 2015, foram diagnosticados 95.524 pacientes e deu-se prioridade para o tratamento a pessoas com um grau de fibrose avançada, a partir de F2 F4.

Estender o tratamento

O objetivo agora é estender o tratamento a todos os pacientes e aumentar as taxas de diagnóstico para excluir a hepatite viral para os anos 2020-2030, de acordo com a OMS, de acordo com um dos membros do Comitê Científico consultivo do Plano, o chefe de Gastroenterologia do Hospital Ramón y Cajal (Madrid), Agostinho Albillos.

Até o momento, dos mais de 65.000 pacientes tratados, 63% apresentava uma fibrose avançada, de acordo com Albillos, que garantiu que a maior parte dos pacientes em fase 3 e 4 da doença já foram tratados ao ser sintomáticos.

Enquanto isso, os pacientes sem diagnóstico são, em sua maioria, de acordo com o especialista, pacientes com fibrose leve.

Os pacientes aos quais foram fornecidos os novos medicamentos, 1.215 são presos, o que representa, segundo Castrodeza, 42 por cento de todos os internos susceptíveis de serem tratados, de acordo com as recomendações do Plano.

Para conhecer a prevalência real da doença em Portugal, a Saúde foi finalizado o projeto de um estudo, que se desenvolve sobre uma amostra de 8.800 pessoas no primeiro semestre do ano, cujos resultados serão conhecidos no final de 2017.

No entanto, alguns estudos já realizados por sociedades científicas apontam, segundo Albillos, para que a prevalência da epidemia pode situar-se em 0,8% e, em algumas áreas, mesmo em 0,5 %.

Quanto ao investimento realizado para os tratamentos, em 2015, foram mais de mil milhões, no ano passado, cerca de 600, e estima-se que, para 2017, cerca de 200, alguns números que foram decrescentes, de acordo com Castrodeza, o trabalho de negociação que realiza o Ministério com os laboratórios.

Debate parlamentar

O deputado Jesus María Fernández, do grupo socialista, pediu uma “revisão” do plano e tem criticado a “absoluta opacidade dos acordos de preços com os laboratórios farmacêuticos”.

Exigiu uma renegociação dos preços dos medicamentos e abrir uma linha especial de financiamento para tratamentos inovadores que não represente um custo adicional para as comunidades autónomas.

Pediu também que se prioricen os tratamentos para os grupos de risco especial, como a população prisional, como o fez Francisco Igea, de Cidadãos, que garantiu que só foi tratado por 10 % dos presos doentes, o que representa “uma violação flagrante do plano” e “uma vergonha nacional”, porque “têm os mesmos direitos” de saúde que o resto.

A voz dos pacientes

Os pacientes, que se manifestaram às portas do Congresso, também opinaram.

O primeiro vice-presidente da Plataforma de Afetados pela Hepatite C (Plafh), Luis Cavaleiro, pediu uma revisão do plano por estar”desatualizado” e ser “insuficiente” ao deixar de fora alguns doentes diagnosticados com o vírus, os F0 e F1.

A crítica de que não se verifiquem os novos medicamentos a todos os enfermos, por “razões econômicas” e que a Saúde “não foi capaz de liderar o processo de luta contra a doença”, mas que “se tenha dedicado a distribuir os medicamentos”.

“Agiu como uma farmácia”, afirmou Cavaleiro, quem tiver incidido em que as linhas gerais do plano não foram cumpridas, como demonstra a falta de equidade entre as comunidades autónomas.

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