Mais de 60% sofre de excesso de peso e obesidade

EFE/ROSÁRIO CANFRANC

ENPE tem-se baseado, desta vez, sua análise da prevalência da obesidade em Portugal através de medições antropométricas de uma amostra de 3 966 pessoas entre 25 e 64 anos, realizado entre maio de 2014 e maio de 2015.

Os homens apresentam maiores índices de obesidade geral do que as mulheres, mas se analisarmos a adiposidade localizada na região abdominal (que sofre um 33,4% das personadas analisadas) inverte-se a tendência. Tanto a obesidade geral, como a abdominal, aumentam com a idade.

É considerado excesso de peso que se situa entre 25 e 29,9 do Índice de Massa Corporal (IMC), a fórmula que relaciona peso e tamanho, e obesidade, a partir de 30. A obesidade abdominal se, provavelmente, para valores de cintura, a partir de 102 cm para homens e 88 cm em mulheres.

Os dados do estudo ENPE reafirmam as estimativas realizadas no estudo ENRICA, desenvolvido de 2008 a 2010, no qual se estimou uma prevalência de obesidade de 22,9% da população portuguesa com mais de 18 anos.

Por comunidades autónomas

Esta análise fornece uma distribuição desigual por comunidades autónomas sendo Astúrias (25,7); Galiza (24,9) e Andaluzia (24,4) as regiões com maiores taxas de obesidade, de frente para as mais baixas, Baleares (10,5%); Catalunha (15,5%) e o País Basco (16,8%).

Um desafio de saúde

A prevalência de obesidade na população adulta em Portugal (21,6%) situa-se em taxas inferiores às estimadas nos Estados Unidos (35,1%9), embora as mais altas situam-se em países do Oriente Médio e Golfo Pérsico (37,38%).

O aumento da obesidade é um dos principais desafios para a saúde pública, já que está associada a maior mortalidade, incapacidade e deterioração da qualidade de vida, além de aumentar as despesas de saúde, por ser um fator de risco de doenças, como a diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Perante esta alta prevalência do sobrepeso e da obesidade em Portugal , o estudo ENPE, conclui-se que é necessário uma melhor vigilância sistemática, especialmente dos grupos de população com maior risco, a implantação de estratégias preventivas de carácter geral, destinadas a toda a população e ações assistenciais específicas para os indivíduos afetados.

Os cardiologistas recomendam

Assim, a Sociedade Espanhola de Cardiologia, em cuja revista científica foi publicado o estudo ENPE, alerta a importância de adquirir hábitos de vida saudáveis, uma vez que a obesidade é considerada como um dos principais fatores de risco cardiovascular.

Recomenda-se realizar um mínimo de 30 minutos de actividade física diária moderada, como passear, aproveitar para voltar do trabalho a pé ou evitar o uso do elevador e subir escadas, bem como cuidar das alimentação seguindo estas diretrizes:

  • Legumes e produtos hortícolas: duas ou mais porções ao dia
  • Frutas: uma ou duas peças em cada refeição principal
  • Azeite de oliva virgem: uma ou duas rações em cada refeição (cerca de 10 ml)
  • Pão, arroz, massas e outros cereais (de preferência integrais): uma ou duas porções por cada refeição (40-60 gramas de pão ou 60-80 gramas de arroz)
  • Legumes: duas ou mais porções por semana
  • Lácteos: duas porções ao dia, preferencialmente desnatados ou com baixo teor de gordura
  • Peixe branco/azul: duas ou mais porções por semana
  • Evitar ao máximo o consumo de carnes vermelhas (menos de duas porções por semana) e tentar substituí-lo pelo consumo de carnes brancas, pois têm menos gordura
  • Evitar os doces e pastelaria industrial

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