Mais de 60% de transtornos de alimentação são recuperados

REUTERS/SERGEI ILNITSKY

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Cerca de percentagens que sublinha o investigador do Centro de Investigação Biomédica em Rede-Fisiopatologia da Obesidade e Nutrição (CIBERobn), Fernando Fernández-Aranda, que destaca-se que, nestes anos, desenvolveram-se também a técnicas e procedimentos utilizados e a participação ativa do paciente de distúrbios de alimentação.

O psicólogo clínico se tornou o primeiro espanhol a receber o prêmio Leadership Award on Research 2015, que lhe atribuiu no passado dia 25 de abril, a Academy for Eating Disorders durante o seu congresso anual, realizado em Boston.

  • Este prémio reconhece a sua contribuição para a investigação no campo dos distúrbios de alimentação.

Se, é um reconhecimento à trajetória na pesquisa em transtornos de alimentação e obesidade e tem um impacto sobre para onde vão as linhas de pesquisas futuras e guias de tratamento. E isso é o que mais orgulho produz.

  • Como e para onde se dirigem precisamente essas linhas de investigação em anorexia, bulimia, transtorno por pouco saudáveis..?

As linhas de actuação fundamentais são os fatores de risco; a inovação dos tratamentos e a busca de fatores comuns com outros transtornos.

Em relação a fatores de risco, hoje está claro que já não se dá importância exclusivamente a um deles (o psicológico ou biológico) como há algumas décadas, mas que o distúrbio ocorre a confluência de todos eles (ambientais, genéticos, hormonais, psicológicos…)

Uma linha de investigação prioritária é a interação de fatores ambientais com os genéticos. Assim como há doenças que se devem a mutações genéticas específicas que explicam a sua causa, em um transtorno alimentar, como no caso de diversos transtornos mentais, são multicausales. Não é só encontrar o gene ou o fator biológico, mas encontrar a interação, que fatores ambientais viveu esta pessoa ou características individuais que presente (personalidade, estilos cognitivos, experiências emocionais desfavoráveis…) em conjunto com essa vulnerabilidade genética, ver se corre um risco maior.

  • A inovação nos tratamentos também concentra o interesse da ciência.

Se, em que medida as novas tecnologias podem contribuir com um plus de qualidade e servir de complemento de tratamentos que já estão se mostrando eficazes como videojogos e procedimentos de reabilitação cognitiva, tratamentos baseados na internet, os processos de realidade virtual, ou inteligência artificial. Avatares que auxiliam ou complementam o tratamento, que conta com suporte de auto-ajuda, através de uma plataforma tecnológica, que possa reconhecer estados emocionais…

  • Mas também inovadores são todos os tratamentos e pesquisas relacionadas com o cérebro.

No cérebro estão envolvidos toda uma série de processos, que iriam desde a busca de uma recompensa ou gratificação imediata ao comer, como no caso de transtorno por pouco saudáveis ou o comer emocional da obesidade, ou de rigidez e controle excessivo, como no caso de anorexia. Tentamos ver como processos ligados à regulação emocional, impulsividade, uma excessiva rigidez, ou estilos de enfrentamento inadequados podem ser regulados através de estratégias que incidam em áreas ou funções cerebrais específicas.

Por exemplo, com o computador “PlayMancer”, com capacidade rehabilitadora, ajudamos a ganhar em regulação emocional diante de certos estados de frustração ou aos estímulos alimentares tentamos explorar quais as áreas cerebrais são ativadas.

  • A terceira linha de investigação que foi citado é a busca de fatores comuns com outros transtornos.

Se bem que se acreditava que podiam ser mais ou menos estanques, mas estamos vendo como obesidade e transtorno da alimentação compartilham muitos fatores, como de um pode evoluir para outro, isto é, como pode haver obesidade infantil e, ao longo da adolescência, conduzir um transtorno alimentar ou vice-versa.

Mas também foi pedida a obesidade e transtorno de alimentação a partir de uma perspectiva oposta (no caso da anorexia) ou complementar (em distúrbios por pouco saudáveis e bulimia), e como em um e outro caso, responde de forma diferencial antes estímulos sensoriais ou emocionais.

  • Você passa consulta no Serviço de Psiquiatria do Hospital de Bellvitge de Barcelona. A partir da prática clínica como evoluíram os casos de transtornos alimentares?

Observa-Se um maior reconhecimento precoce e uma maior consciência social. Neste aspecto, têm ajudado os meios de comunicação. A família, o colégio, os serviços de atenção primária…estão reconhecendo casos com distúrbios da alimentação já poucos meses de evolução e, assim, recorrer a tratamento especializado e melhorar o prognóstico.

Também houve uma clara melhora no resultado dos tratamentos. Há 20 anos se recuperava de 30% de transtornos da alimentação e, agora, entre 60 e 80%. O tipo de tratamento, o grau de maturidade familiar e a participação do paciente mudaram. Há anos a atitude do paciente era praticamente nula, e agora é, em geral, mais ativa e promove uma abordagem eminentemente motivacional e dialogante.

Mas ainda nos resta encontrar objetivos e alvos farmacológicos mais relevantes, tanto nos transtornos da alimentação, como obesidade, que favoreçam uma intervenção mais localizada e eficaz. No entanto, a natureza multicausal dessas doenças e a necessidade de aprofundar o conhecimento de suas causas, foi dilatada a consecução desta meta até o momento.

A Associação Americana de Psiquiatria, apresentou, em maio de 2013, um novo manual de diagnóstico de transtornos da conduta alimentar e são classificados em três tipos: anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno por pouco saudáveis.

Por sua vez, são considerados cinco subtipos: a anorexia nervosa atípica, quando cumpre todos os critérios de anorexia nervosa, exceto o peso; bulimia nervosa quando não cumpre o critério de frequência semanal mínima; transtorno por pouco saudáveis quando não cumprir a freqüência semanal mínima; transtorno purgativo que apresenta comportamentos recorrentes de vômitos com finalidade compensatória, mas sem a presença de compulsão anteriores; e síndrome de ingestão noturna ou comer em excesso durante a noite, ao acordar, ou depois de ter jantado.

Por outro lado, incorporam-distúrbios próprios da infância, como pica (desejo irresistível de comer substâncias não nutritivas como papel, giz..); transtorno de ruminação (regurgitações repetidas) e transtorno de consumo restritivo/evitativo de comida (rejeição a uma alimentação normal, sem causas atribuíveis a uma anorexia nervosa ou bulimia nervosa).

O resto de categorias que costumam divulgar nos meios de comunicação, se bem que refletem uma série de sintomas que podem aparecer em casos concretos, não se traduzem em categoria com entidade diagnóstica e em nenhum destes casos, dentro dos transtornos da alimentação.

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