Mais controle e etiquetas claras para evitar fraudes, como o de carne de cavalo

Todos os agentes da cadeia alimentar concordam que o escândalo europeu da carne de cavalo é uma fraude de rotulagem e em que é necessário reforçar os controles para evitar novos casos e punir os infratores. Embora a carne de cavalo é perfeitamente saudável, qualquer cavalo não é apto para o consumo humano

EFE/Caroline Seidel

Sexta-feira 07.09.2018

Quinta-feira 06.09.2018

Quarta-feira 05.09.2018

“Trata-Se claramente de uma fraude ao consumidor, já que a lei obriga a que, no rótulo, apareçam absolutamente todos os ingredientes, por ordem decrescente de importância”, disse a Efeagro o responsável do Departamento de direito do centro tecnológico agro-alimentar Ainia, José Maria Ferrer.

A fraude pode acarretar sanções de até 600.000 euros e o encerramento da empresa inadimplente, em casos muito graves que envolvam risco para a saúde, embora, de acordo com Ferrer, não é o caso da fraude da carne de cavalo.

O presidente da Federação de Usuários e Consumidores Independentes (FUCI), Gustavo a) paulo santos, reconheceu os avanços em matéria de rotulagem promovidos pelo Governo e a União Europeia, mas acredita “essencial explicar bem aos consumidores o que contém cada produto, para que tenha a capacidade de escolher.”

A) paulo santos salientou a necessidade de aplicar “sanções fortes para os que não cumprirem a norma, ainda quando não haja problemas de segurança alimentar”.

Rodríguez foi obrigado a Efeagro que é “muito difícil” que entre em um matadouro, um cavalo que não cumpra esta regra, já que a lei obriga a que cada animal tenha “uma espécie de carteira de identidade”, única e intransferível, onde figura todo tratamento médico a que foi submetido, e que se verifica antes de seu sacrifício.

A partir da União de Criadores de Cavalos Espanhóis (UCCE), seu diretor-geral, Rafael González, insistiu a Efeagro que se trata de um problema de rotulagem, não de saúde.

González foi reconhecido que a crise econômica foi levado ao matadouro muitos cavalos -incluindo os de raça pura que “agora não valem nada”, mas que chegaram a ser negociadas até 40.000 euros – com a consequente queda dos preços da carne.

Segundo os últimos dados publicados pelo Ministério de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, o número de abates de gado eqüino cresceu 48,8 % de janeiro a novembro de 2012 em relação ao ano anterior, com um total de 68.664 animais.

O diretor-geral de UCCE -que reúne 800 criadores – reitera que “há suficientes medidas de controle e rastreabilidade” para que não haja fraudes, embora “é claro que nem sempre se cumprem.

Neste sentido, o responsável do Departamento de Assistência Tecnológica e Serviços Analíticos de Ainia, Roberto Ortuño, salientou que a rastreabilidade em si mesma não é uma garantia para evitar fraudes, mas sim funciona como um “elemento dissuasor”.

Ortuño disse que alguns dos casos em que foram detectadas “vestígios de ADN de cavalo” não tem por que ser uma fraude, já que se trata de menos de 1 % de resto genético que pode resultar da contaminação cruzada ao “ter picado, por exemplo, carne equina e bovina na mesma máquina”.

Uma reflexão que coincide com o gerente da Associação brasileira de Produtores de Bovinos de Carne (Asoprovac), Javier López, que salientou que é “fundamental que as empresas realizem seus controles antes de vender o produto”.

Embora em Portugal não há muita tradição de venda de carne de cavalo, nem açougues especializados, Catalunha, espanha tem tido, historicamente, maior consumo do que em outros territórios por sua proximidade com a França, onde é mais popular, de acordo com fontes do setor.

Luis Grenache, proprietário da única carnificina na venda de carne de cavalo de Girona, reconheceu a Efeagro a “absoluta normalidade nas vendas”, já que contam com uma clientela fixa que vêm a sua “propriedade”de confiança”.

Desde a indústria, a Confederação de Organizações empresariais do Sector da Carne de Portugal (Confecarne) apoia as investigações postas em marcha para depurar responsabilidades.

Em sua opinião, “é inaceitável para a indústria da carne que um operador desonesto contato com a reputação e esforços de todo um setor para colocar à disposição do consumidor produtos seguros, de qualidade e em conformidade com a regulamentação europeia e espanhola”.

O presidente da Associação de Cadeias Espanholas de Supermercados (ASES), Aurélio do Pinho, reiterou que, a partir da distribuição “todos os controles em matéria de segurança alimentar estão seguindo com a maior diligência”.

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