Mãe, estou de volta a molhar os lençóis

Parte da capa o Que fazer para que meu filho não faça xixi na cama?. Autores: João Carlos Ruíz da Vermelha e Yolanda Saragoça González. Cedido por Cachoeira.

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Segunda-feira 10.09.2018

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Sexta-feira 07.09.2018

Meio milhão de crianças em Portugal sofrem de enurese e várias vezes por mês os seus pais repetem a cada manhã a mesma operação: abrir as janelas do quarto, lavar os lençóis, a sua roupa interior e pijamas.

Embora muitos pais lhes custe a acreditar, seus filhos, não são culpados de as fugas noturnas, “não o fazem para chamar a atenção”. A solução de tais crianças que sofrem em silêncio durante anos, pode ser um tratamento adaptado ao seu problema.

É nesta afirmação que insiste urologista do Instituto Urológico Madrilenho Juan Carlos Ruíz de Vermelho com a gerente do centro, António Saragoça, no livro o Que fazer para que meu filho não faça xixi na cama?

Os sintomas

Se os pais ainda não conseguiram retirar a fralda de seu filho de dois anos, ainda não é motivo de preocupação.

O doutor Marcos da Vermelha detalha a EFEsalud os principais sintomas que realmente podem vir a confirmar que uma criança tem enurese:

  • A criança tem mais de cinco anos.
  • Urina de forma involuntária.
  • O escape ocorre durante o sono (pode ser tanto a noite como durante a sesta).
  • Pode ocorrer, pelo menos, entre dois e quatro dias ao longo de um mês.
  • Esta situação se dá, no mínimo, durante três meses consecutivos.

Se ocorrem estas cinco características, há que levar o pequeno ao médico o quanto antes, porque, apesar de que a enurese, antes ou depois sempre acaba deixando, por si só, há vezes em que as consequências são mais graves.

“Passei a tratar caras que continuam a urinar com vinte e poucos anos” e isto se deve a que “não tenham sido diagnosticado pequenos e não receberam nenhum tratamento para frenarlo”, explica o urologista.

As crianças não têm culpa

90% dos casos de enurese que se analisam cada dia nas consultas médicas vêm derivados de fatores físicos ou genéticos e apenas 10% restante deve-se a causas de ordem psicológica.

Além disso, as crianças têm muito mais chances de ser enuréticos que as meninas porque sua bexiga madura mais lentamente.

Os que nasceram prematuramente têm ainda mais chances de sê-lo.

Segundo Marcos da Vermelha, de forma geral, existem cinco grupos de crianças podem ser mais vulneráveis a sofrer:

  • Diabéticos: Ao ter elevado o açúcar no sangue começam a ter muita fome e da produção de urina é mais alta.
  • Crianças com TDAH.
  • Crianças com amigdalas muito grandes: Respiram pior, e isso favorece para que haja uma alteração de um hormônio que acaba repercutindo em maior produção de urina durante a noite.
  • Bexiga imatura.
  • Malformação do aparelho urinário.

Dicas para os pais

Yolanda Saragoça reúne as histórias que o próprio doutor vive em seu consultório e também adiciona curiosidades sobre a enurese através de diferentes culturas e fases da história.

Um número impressionante do livro é o referente às punições que os pais fazem aos filhos, porque muitos continuam a pensar, a dia de hoje, que se faz xixi na cama para chamar a atenção.

Um dos mais comuns é obrigar o pequeno a ir com fraldas a classe para que se sintam envergonhados.

Sobre este aspecto, Marcos da Vermelha aconselha que não castiguen ao seu filho e que lhe levem ao médico para que ele diagnostique, que evitem dar bebidas com cafeína, pois aumentam a produção de urina e não se levantem continuamente durante a noite porque no final, isso repercute no descanso da criança e acaba orinándose igualmente.

Um conselho é que controlam o líquido das crianças ao longo da tarde e tentam que antes de se deitar vacíen completamente a bexiga.

O urologista salienta que os pais “têm que estar tranquilos, que não se obsesionen e que tentem identificar o membro da família que já sofreu para dar-se conta de que se trata de um tema hereditária”.

Segundo observa, “o que não se pode fazer é manter a criança com fraldas até idades em que não tem nenhum sentido quando há tratamentos que podem resolver o problema”.

90% dos tratamentos que resolvem a enurese são farmacológicos e mínimas ocasiões precisam de ajuda psicológica.

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