Desnutrição infantil, uma ameaça por efeito da crise

Uma criança está malnutrido quando não come o suficiente, nem o adequado para a energia que gasta. A desnutrição infantil é um problema de baixa prevalência em um país desenvolvido como a Espanha, embora os alarmes foram ligado à crise econômica que afeta a economia familiar. Pediatras e nutricionistas reivindicam o educar em nutrição

EFE/Javier Etxezarreta

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Um passo para a frente o deu a Defensora do Povo, Solidão Becerril, quando o passado mês de junho abriu uma investigação nas comunidades autónomas depois que as administrações públicas detectados deficiências na qualidade da alimentação de crianças que desenbocaba em desnutrição.

Agora, o defensor do Povo de Catalunha, Rafael Ribó, denunciou que 50.000 crianças têm privações alimentares e que não se podem dar de comer carne ou peixe, pelo menos, uma vez a cada dois dias, e que 750 são diagnosticados pelo Instituto Catalão de Saúde com códigos relacionados com a pobreza e a desnutrição.

Organizações humanitárias como a Cáritas e Cruz Vermelha, entre outras, têm se intensificado nos últimos três anos, a ajuda a famílias em situação de precariedade, por causa da crise econômica. Implementaram medidas como a distribuição de alimentos ou refeitórios sociais.

Os pediatras e nutricionistas consultados por EFEsalud não foi tratado nenhum menino desnutrido por carências alimentares decorrentes da precariedade económica, apenas casos gerados por doenças sistêmicas. No entanto, são unânimes em afirmar que a crise começa a fazer mossa em uma sociedade com deficiências em cultura nutricional.

“Não estamos educando nossos filhos em comer corretamente e, além disso, o que antes comiam muito bem agora, não se podem dar e substituídos por alimentos com menos qualidade”, ressalta a especialista, coordenadora da Unidade Funcional de Distúrbios de Alimentação do hospital de madrid.

Por sua parte, o chefe da Unidade de Dietética e Nutrição do Hospital Ramón y Cajal de Madrid, Clotilde Oliveira, diz que os cortes derivados da crise que afetam a cobertura universal de saúde fazem com que já se vislumbren “as consequências da pobreza, de quem ficou no desamparo social. Os mais vulneráveis, os idosos e as crianças começam a sofrer essas consequências graves e chegam a comer até a maca peruana para não morrer de fome”.

Como se detecta a desnutrição infantil

O pediatra Manuel Belo, do Hospital Quirón Murcia, define a desnutrição como “um disbalance entre o aporte de energia e nutrientes em relação ao gasto que produz o organismo”.

A pediatra Consolo Pedrão explica que a desnutrição primária é dada para as crianças que não comem o suficiente para o que precisam e que se agrava quando perdem peso. Este é o caso de crianças do terceiro mundo que sofrem de desnutrição crônica, quando, além de perder peso, afeta o tamanho. A desnutrição secundária vai ligada a doenças que causam vômitos, diarréia e falta de apetite.

A doutora Pedrão diz que, no caso de sociedades desenvolvidas, a desnutrição primária é “pouco prevalente”. Mas há que estar alerta diante de uma criança que ganha pouco peso, está em voga, inativo, que rende pouco, porque você não come o suficiente”.

O crescimento é afetado em uma fase posterior, “primeiro enflaquecen e depois param de crescer”, apostila.

A pediatra do Hospital Menino Jesus insiste em que, atualmente, não existe no Brasil nenhum estudo publicado que detecte que grupos de crianças que experimente já com uma pausa no crescimento, mas que já viu em sua pergunta para o caso de um menor após uma doença metabólica rara que necessita de uma alimentação sem proteínas, que é cara, e que a situação de trabalho dos pais pode fazer com que seja difícil pagar, já que não abrange o sistema público de saúde.

Legumes, uma boa proteína

As proteínas não estão apenas na carne e no peixe. Os ovos, o frango, os legumes e os produtos lácteos também são ricos deste macronutriente.

“As famílias têm que aprender a dar de comer a seus filhos e oferecer diferentes alternativas”, sublinha o Consolo Pedrão.

A pediatra considera que, “no momento em que estamos seria muito importante que se bater em algum tipo de campanha educativa para nos ensinar a comer como comíamos quando eu era pequena. Prato de colher e nem muita carne, nem muito peixe”.

Com ela coincide com a nutricionista do Ramón e Cajal, Clotilde Vázquez, que considera que uma criança tem que comer proteínas diariamente e, se você come feijão, não é necessária tanta proteína animal. Estas são suas dicas:

  • O feijão é um alimento “relativamente baratoporque cunde muito” e “é uma proteína de tão boa qualidade como a carne e o peixe”. Recomenda tomar um prato diário de legumes em pequenas quantidades e acompanhado às vezes de um pouco de carne.EFE/Felipe Ribeiro
  • “Em Portugal agora vegetal é a salvação de quem não tem muitos recursos, e de quem os tem, porque é muito saudável. Sacia, fornece fibra para o aparelho digestivo e tem o cálcio e vitamina D”, indica a especialista.
  • Também os produtos lácteos contêm proteína, a lactoalbumina. O leite de vaca, o iogurte natural, queijo simples fornecem cálcio e, junto a outros macronutrientes, compõem uma alimentação completa “a um preço acessível”, afirma a doutora.
  • Aconselha que as crianças tomem ovo (outro alimento barato), até mesmo uma vez por dia, além de recorrer aos legumes e frutas da época (que são mais baratas), já que o conveniente é que as comem duas vezes ao dia.
  • O óleo de oliva de boa qualidade, é fundamental para o menu diário.

Obesidade e desnutrição

A obesidade é a epidemia global do século XXI, nas sociedades desenvolvidas, como a espanhola. As crianças de famílias com escassos recursos são o alvo perfeito para esta doença.

“Nesses casos, a desnutrição é mais difícil de diagnosticar porque a criança come em excesso de calorias de má qualidade, que são muito baratas. Trata-Se de uma criança cuja gordura corporal segrega hormônios e não parar o seu crescimento, mas estão faltando proteínas que ajudam na formação e maturação correta de todos os seus órgãos, como fígado, osso ou o sistema nervoso central”, diz Clotilde Vázquez.

O pediatra Manuel Belo coincide em afirmar que a alimentação dos pequenos “, com um nível sócio-económico normal também não é a adequada, há muitas crianças obesas porque comem mal, excessivo. Além disso, prima o sedentarismo da televisão ou o computador contra o esporte ou jogo ativo.

Consequências de uma má alimentação

Uma desnutrição em crianças pode resultar em graves consequências para a sua saúde. Estas são algumas destacadas pelos três especialistas consultados:

  • Afectação multiorgánica ou multisestémica.
  • Doenças respiratórias e cardiovasculares.
  • Favorece as infecções e dificulta a cicatrização das feridas.
  • No caso de crianças, pode afetar o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso central.
  • Sequelas na capacidade cognitiva.

A Organização Mundial de Saúde estima que mais de cem milhões de crianças menores de 5 anos no planeta estão desnutridas e outros 165 milhões são atrofiado. Tanto a desnutrição como o excesso de peso decorrentes de uma má nutrição e pedem aos países com programas de conscientização e prevenção.

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