Além de hormônios e genes

EFE/Iván Franco

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E apesar de hormônios e genes estejam muito presentes na saúde da mulher, os estilos de vida e os condicionantes sociais, econômicos e culturais também deixam sua marca. Ignorar todo o conjunto leva a tratamentos médicos inadequados, varreduras ineficazes e erros de diagnóstico.

“As mulheres e os homens, somos diferentes na hora de agir perante a saúde. No entanto, a saúde da mulher tem estado mediatizada por uma abordagem androcêntrico”, que é necessário corrigir, defende em entrevista à EFEsalud, Anton Ferreiros, presidente da Fundação para a Pesquisa da Saúde (FUINSA).

FUINSA lançou o Fórum Saúde da Mulher para avançar no conhecimento sobre morbilidades específicas das mulheres, e quais os factores que as determinam, “já que só uma visão dos problemas de saúde baseados em conjunto os aspectos biológicos, psicológicos e sociais, nos poderão fornecer um modelo válido para estudar as desigualdades de gênero na saúde”, explica o médico.

Ensaios clínicos

São desigualdades que se concretizam também a ausência das mulheres em numerosos ensaios clínicos com medicamentos.

Até há bem pouco tempo, as mulheres têm sido sistematicamente excluídos dos ensaios clínicos, de forma que muitos foram realizadas apenas com população masculina, o que levou a que muitos fármacos não sejam igualmente eficazes para as mulheres ou, o que é pior, que tenham efeitos adversos para as mesmas, explica a EFEsalud Rosário Lopes Gimenez, professora da faculdade de Medicina da Universidade Autónoma de Madrid e especialista em saúde e gênero.

Outra questão refere esta especialista, é a dose. As mulheres não metabolizam mesma forma que os homens, e as doses indicadas de maneira geral, podem servir para os homens, mas não ser as mais adequadas para as mulheres.

A questão não está nem muito menos resolvida hoje em dia, tanto que mereceu que o pleno da Comissão tenha sido pedido há apenas alguns dias que os ensaios clínicos que tenham em conta a questão de gênero e distinguir entre os efeitos colaterais que os medicamentos podem causar a homens e mulheres, com maior incidência de doenças mentais como a depressão.

No relatório, do qual foi relatora a deputada espanhola independente liberal Beatriz Bezerra, afirma que atualmente as mulheres estão pouco representadas na pesquisa clínica, embora se lhes fornecem os mesmos medicamentos, mesmo diante de doenças, onde as diferenças podem ser tão prejudiciais, como o alzheimer, o câncer, o tratamento de acidente vascular cerebral, depressão e as doenças cardiovasculares.

Os estudos confirmam as diferenças claras entre ambos os géneros, embora se trate da mesma doença. Alguns exemplos são a osteoporose, as doenças auto-imunes, fígado e da tireoide; a fibromialgia, distúrbios de alimentação, síndrome de intestino irritável ou a depressão e ansiedade.

Nesta batalha por não esquecer do gênero quando um médico atende um paciente é fundamental, aponta o presidente FUINSA, a transferência de alguns conhecimentos que estão lá, mas não se anunciam ou compartilham o suficiente.

Saúde da Mulher: o que diz a OMS

Em um relatório de 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já afirmava que o fato de pertencer a um ou a outro sexo tinha um grande impacto na saúde.

Em sua introdução, declara que, ainda quando foram realizados alguns progressos, as sociedades do mundo inteiro “continuam falhando a mulher em momentos-chave de sua vida, particularmente na adolescência e a velhice”.

Também referiu que, embora o grosso da saúde está a cargo de mulheres, estas muitas vezes não recebem a atenção que elas precisam.

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