além da dor de cabeça

EFE/JOÃO COELHO

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A enxaqueca é um tipo de dor de cabeça ou um tipo de dor de cabeça que afeta mais de quatro milhões de pessoas em Portugal. Deles, mais de um milhão e meio são pacientes crônicos, ou seja, têm mais de quinze crise por mês, que duram entre 4 e 72 horas.

Quarenta anos convivendo com enxaquecas

Ninguém entendia as dores de cabeça e o mal-estar de Manolo do Rio , quando fazia a mili em Vitória. Há quarenta anos, a enxaquecaera uma completa desconhecida, “ninguém a levava a sério”.

Sempre que aparecia o forte dor, o estômago deste cantábrica voltava e vomitaba com frequência; Manolo imaginou que teria alguma irregularidade na zona abdominal. Ele foi ao médico digestivo, mas o diagnóstico era outro: enxaquecas.

Hoje, Manolo tem 63 anos e explica: “Com o tempo aprendi a conhecer a minha enxaqueca e parece que diminuiu a dor”. E é que foram muitos dias de escuridão total e panos de leite na cabeça para aliviar a dor.

O empresário aponta para a monotonia e o álcool, como fatores desencadeantes de alguns desses episódios. “O dia em que, com 25 anos, saía um pouco e me deitava mais tarde, a enxaqueca estava assegurada na manhã seguinte”, explica.

Na família Do Rio, Manolo não é a única vítima de enxaqueca. Seu filho e um de seus irmãos também afetadas, este último ainda mais forte do que a sua.

Para ele, é importante que exista o Dia Internacional da doença: “Assim se vai antes ao médico”.

Compartilhar amizade e doença

Elena Marco e Luciano Fernandez têm em comum a amizade que as une e da doença, que levam lidando anos, a enxaqueca, mas cada uma tem a sua própria experiência e singularidades.

Começamos com Elena, de 33 anos. Esta murciana com apenas dez anos já sabia o que era ir ao hospital para fazer um eletrocardiograma. “Os primeiros anos, as dores não eram tão fortes, mas a partir dos 16 aumentaram”, recorda.

Sua fase mais dura da doença foi a vintena. Depois de horas em serviço de urgência, receitas e diferentes tratamentos, Elena decidiu mudar seu estilo de vida: começou a praticar exercício físico regular e abandonou os comprimidos.

As crises, define a jovem, “eram incapacitantes”, mas agora a qualidade está de volta à sua vida, “Em minha casa não o crêem. Estou há um ano sem ir às urgências”, expõe atônito.

No âmbito do trabalho, Elena já trabalhou em vários escritórios e reconhece que muita gente “não sabia que eu fosse para casa com uma dor de cabeça, mas a mim me davam náuseas e vômitos”.

O caso de Estefânia Fernandes, 32 anos, é algo diferente. Leva convivendo com a doença “apenas” quatro anos, mas suficientes para que incapacite o seu trabalho em um laboratório, quando sofre uma de suas crises.

“Uma pessoa com enxaqueca não pode fazer uma vida normal: você não pode comer o mesmo, beber o mesmo, mas ao certo ninguém sabe, a cada pessoa lhe acontece algo diferente”, relata esta asturiana com sede em Madrid.

Atualmente, o tratamento que recebe, que foi rebaixado a frequência, embora ainda sofrendo bastantes e sua duração é, no mínimo, um dia inteiro, se bem que “a dor de cabeça não te deixa nunca, mas aprende a viver com ele”, diz Stephanie.

Coincide com Elena na incompreensão que se pode produzir no posto de trabalho, pois “é difícil compreendê-lo se você vê que curto uma ou duas vezes por mês, mas eu não posso nem levantar da cama”.

A Associação Portuguesa de Doentes com dor de cabeça

O alto-falante de doentes, como Manolo, Elena ou Estefânia é a Associação Portuguesa de Doentes com dor de cabeça.

“Queremos que a sociedade entenda a doença, não é uma dor de cabeça de qualquer um e não permite fazer a vida profissional ou familiar normal”, diz Elena Ruiz de la Torre, presidente da associação e vice-presidente da European Headache Alliance.

Entre seus objetivos estão a representação dos pacientes perante instituições de saúde, a promoção da investigação e o apoio e informação aos doentes.

Os pacientes que chegam à associação são muito severos, “chamam desesperados, viram muitos especialistas e não têm a doença sob controle”, diz Ruiz de la Torre.

Por isso, este ano organizaram a campanha “faça um chapéu contra a enxaqueca” , que anima, por um lado, a subir nas redes sociais uma foto com este snap-in e, por outro, o envio de uma mensagem de texto solidário.

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