abuso de gênero em adolescentes

EFE/RICARDO MALDONADO ROZO

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Século XXI: O machismo é passado em nossa sociedade? Nada mais longe da realidade. Agora, a mulher não é inferior, mas diferente. Algumas diferenças que se escondem construções tipicamente machistas e umas relações de casal adolescentes baseadas no controle, a posse e comportamentos potencialmente agressivos: caldo de cultivo para o crescimento.

Existe um perfil da sociedade adolescente?

De acordo com Olga Barroso, coordenadora e psicóloga da Unidade Especializada de Atendimento Psicológico a Mulheres e Adolescentes Vítimas de Violência de Gênero, da Direcção-Geral da Mulher da Comunidade de Madrid, os agressores adolescentes “estão em todas as classes sociais e em qualquer variável”, ao igual que os agressores adultos.

Dois estudos realizados sobre este assunto concluíram “que os caras que estavam mais de acordo com idéias tradicionalmente machistas (os caras não devem chorar, é correto colar uma menina se você deixar, é correto mandar na relação) foram os que mais emitem comportamentos violentos”, disse a entrevistada.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), “10% de menores espanhóis crescem em ambientes violentos, o que temos aí uma massa de maltrato infantil mais importante”. Não quer dizer que as crianças que sofram qualquer tipo de violência da venham a reproduzir, mas sim é um fator que está empurrando os que de alguma forma não se possam desenvolver de uma maneira saudável”, expica a especialista.

Além disso, a psicóloga também ressalta a imagem que as meninas recebem da sociedade: “um machismo disfarçado com mensagens de uma menina hipersexualizada, mais preocupada com sua imagem estética e buscando a admiração do homem ou da complacência”. Alerta especial e uma atenção urgente, pois estamos “em um 20% de meninas que sofrem”, conclui Olga Barroso.

O forte como o pai? Você sensíveis como a mamãe?

Mais de 80% dos jovens conhece algum ato de violência em casais de sua idade, de acordo com as conclusões do estudo “o Fortes como o pai? Você sensíveis como a mamãe? Identidades de gênero na adolescência”, elaborado pelo Centro Rainha Sofia sobre a Adolescência e Juventude, apresentado há algumas semanas.

Eusébio Megías, diretor técnico do centro e coordenador do estudo realizado a 2.514 caras escolarizados, assinala que “a questão começa a pensar que a identidade de meninos e meninas é radicalmente diferente”. Os papéis de meninos e meninas na sociedade atual, e a identidade de gênero na adolescência, ficam na mira das condutas machistas.

As meninas atribuem-se-lhe mais os aspectos que têm que ver com as emoções, sensibilidade, prudência; e os meninos mais com o ativismo, da ação, da decisão, da capacidade de risco.

“Esses estereótipos são os que, com base em uma espécie de preconceito de que somos diferentes vão muito além das reais diferenças biológicas e fazem uma construção social que separa a identidade de mulheres e de homens”, mantendo a desigualdade e sendo “o caldo de cultura em que depois bebem muitas das atitudes sociais discriminatórias”.

Por isso, o especialista aponta que “houve mudanças, sem nenhuma dúvida, mas às vezes as mudanças são mais cosméticos do que reais; são mais formais do que em profundidade”.

Controle, posse e fidelidade, bases de uma relação de casal adolescente. De acordo com Eusébio Megías, “os adolescentes continuam mantendo essa espécie de ideal de amor romântico, um casal feita com base na fidelidade (no caso das mulheres fidelidade emocional e os homens fidelidade puramente sexual) e é feita sobre a entrega mútua para sempre, coisa que obviamente não coincide com o adolescente”. Ideal em que o controle mantém a situação”, justificando, além disso, uma série de comportamentos que são o germe de uma violência no casal”.

“É muito frequente que tanto o menino como a menina de controlar”, com a diferença de que “quando o cara é o protagonista faz isso com muito mais frequência e com maior gravidade”.

Rever o móvel, ou controlar de onde estiver ou com quem são actos em que as meninas aparecem com mais freqüência. Os meninos são mais comuns, a intimidação, o controlo pessoal e emocional, a violência física ou verbal, ou a violação de sua intimidade.

Em temas de sexualidade, de acordo com este estudo, também não recolhe muita evolução: eles, ativos e capazes. Elas, submissas e recatada. Algo que, segundo o especialista, é deixar “o controle e a capacidade executiva do casal em mãos do chico”, que sente “que tem que tomar as decisões porque se acredita animal sexualizado”; enquanto a mulher sente que tem que estar controlando, mas cedendo porque essa situação de entrega absoluta, a menina -e isso seria um outro estereótipo da desigualdade- “tem que forçado por agradar e satisfazer seu parceiro”.

É o caminho em que o abuso de gênero aparece com muita mais facilidade. Para o coordenador do estudo, “nós temos um monte de tecido que cortar”, pois “enquanto não houver uma educação mais igualitária e não quebrar esses estereótipos de desigualdade, é muito mais difícil controlar essas situações de violência, que são raízes muito ancoradas em comportamentos individuais, mas também no clima social”.

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